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“Direito à comunicação no Brasil ainda é muito atrasado”, diz fundador de web rádio indígena

Por Elcio Ramalho

"Diálogo, tolêrancia e paz" foi o tema escolhido para celebrar neste dia 13 de fevereiro a 8ª edição do Dia Mundial do Rádio, instituído pela UNESCO para ressaltar a importância de um dos mais populares veículos de comunicação.

Os princípios do slogan escolhido este ano estão na origem e orientam o trabalho da Rádio Yandê, a primeira web rádio indígena do Brasil, no ar desde novembro de 2013.

“Em mais de cinco anos de vida online, difundindo por streaming e no contexto da comunicação étnica, a Yandê vem cumprindo sua função de dar voz aos indígenas, propagar sua arte e cultura, e de luta e resistência desses povos”, explica Anápuáka, da etnia Tupinambá, um dos fundadores do grupo de mídia Yandê (Nós”, na língua tupi).

Ele e outros dois indígenas, Renata e Denilson, sentiram a necessidade e responsabilidade de desenvolver um meio de comunicação com foco nos indígenas, mas também para contribuir na promoção de mudanças sociais na sociedade contemporânea.

Atualmente, a Rádio Yandê alcança ouvintes e internautas em 80 países e tem correspondentes em todo o continente americano, além de colaboradores espalhados por todo o Brasil. A programação é composta de noticiário e muitos programas culturais e educativos para difusão da cultura e tradições das diferentes etnias do país.  

“As pessoas passaram a conhecer melhor o indígena contemporâneo, a partir do olhar da comunicação, se desprendendo do viés estereotipado, racista e preconceituoso. Ou simplesmente estamos gerando debate sobre o indígena contemporâneo, que também é urbano, e não apenas o indígena da floresta”, acrescenta Anápuáka, comunicador formado em Gestão em marketing e criador do conceito de etnomídia indígena brasileira.  

Pela internet ou por meio de parcerias com rádios tradicionais, a Yandê diz ter chegado a um “ótimo” patamar de discussão e da necessidade dos povos indígenas se comunicarem. A opção pela rádio na internet, que tem sua sede no Rio de Janeiro, veio da constatação de que não seria possível conquistar uma frequência pelos canais formais de acesso e distribuição de mídia no país.

“Congresso racista e preconceituoso”  

Segundo Anápuáka, os direitos relacionados ao sistema de comunicação no Brasil são “muito atrasados”, e diante do atual procedimento para concessões de frequência no Brasil, por parte do governo com aval do Congresso, seria muito difícil obter uma licença.

“Ir para a web foi uma das formas de propagar esse direito, sem ter que precisar ter acesso a um Congresso racista, preconceituoso, e sem precisar ser submetido à bancada do ‘Boi’ da ‘Bala’ e da ‘Bíblia’, que normalmente nos impediria de ter acesso à comunicação”, argumenta.

O problema da dificuldade e da falta de conexão de muitas aldeias indígenas à internet não é obstáculo para a Rádio Yandê chegar a muitos ouvintes e internautas. “Nossos conteúdos também chegam a essas populações por meio de podcasts, plataformas de redes sociais ou mesmo por gravações feitas nas cidades. Nossa mídia conseguiu fortalecer o debate sobre a resistência indígena no país”, sustenta.

Anápuáka na sede da Rádio Yandê, transmitida a partir do Rio de Janeiro. Foto: Acervo Rádio Yandê

Com a expansão de sua plataforma de comunicação, a rádio Yandê conseguiu elaborar melhor e coordenar mais ações de resistência e também ampliar as possibilidades econômicas para a produção artística dos índios.

“No Brasil não existia esse cenário para a música contemporânea indígena. A música ficava restrita à academia, antropologia e sociologia, dentro de um ambiente muito reservado, posicionando o índio sempre no contexto tribal e tradicional. Mas os índios também contam sua história utilizando rap, MPB, pagode, forró, heavy metal e outros gêneros musicais”, afirma.

Essa expansão da divulgação deste vibrante cenário musical ainda muito desconhecido deu origem a um ambicioso projeto do grupo de comunicação Yandê. Está programado para novembro deste ano em São Paulo o 1° Festival YBY de música indígena brasileira.

“Não vai ser apenas um espaço para música e ritmos, mas também para a discussão de políticas públicas para os povos indígenas a partir da cultura e da arte. Este é um resultado positivo da Rádio Yandê”, afirma Anápuáka.

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