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Vale Brasil Brumadinho Catástrofe ambiental

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Um mês após tragédia, moradores de Brumadinho tentam voltar à vida normal

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População homenageia vítimas da tragédia de Brumadinho enquanto cidade tenta retomar sua vida normal REUTERS/Washington Alves

Apesar da catástrofe que matou pelo menos 179 pessoas, os moradores de Brumadinho, em Minas Gerais, tentam retomar uma vida normal. A reportagem da RFI foi até a região e conversou com sobreviventes de uma das piores tragédias do país.


Sarah Cozzolino, enviada especial da RFI a Brumadinho

Enquanto mais de dez helicópteros sobrevoam diariamente a lama de rejeito de minério de ferro em busca de sobreviventes, os moradores de Córrego do Feijão tentam superar a perda de familiares, vizinhos e amigos. Reunidos na pequena praça desse bairro rural de Brumadinho, que agora mais parece um vilarejo fantasma, eles se recordam da beleza do local antes da tragédia de 25 de janeiro. “Esse lugar era um sonho, mas hoje virou um pesadelo, pois cada dia acham um corpo, enterram um ente querido, um colega, um amigo, um conhecido. Fomos todo atingidos”, conta Elizangela Gonçalves, que passou sua vida na cidade.

Apesar do cenário de desolação, a população tenta voltar ao ritmo normal. As aulas nas escolas da região, por exemplo, foram retomadas. Mesmo se os alunos voltaram a estudar com uma semana de atraso com relação ao calendário do restante do país, o retorno à sala de aula ajuda as crianças a enfrentar o trauma da catástrofe.

Psicólogos foram enviados à região para acompanhar a volta às aulas. “Um dos alunos desenhou um jardim, que tinha embaixo do monte corpos. Isso mostra que as crianças têm consciência do que está acontecendo e do que ocorreu”, conta Victor Polignano psicólogo voluntário que atua em Brumadinho. “A gente tem que dar espaço se elas quiserem falar. Mas se elas não quiserem, temos que respeitar”, completa.

Rios contaminados

Além dos estragos psicológicos e das perdas humanas, os moradores da região contabilizam os estragos ambientais. A lama de rejeito de minério de ferro que se desprendeu da mina de Córrego do Feijão contaminou 120 km do rio Paraopeba, impactando as cidades ribeirinhas. Segundo um informe do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), dez cidades no sudeste do Brasil sofrem com a contaminação do rio

As autoridades ambientais do estado detectaram a presença de metais tóxicos, incluindo chumbo e cromo, nos primeiros 20 km rio abaixo a partir de onde ocorreu o tsunami de lama. A população foi alertada para não usar a água do Paraopeba para beber, alimentar animais ou regar plantações.