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Purpurina sem plástico, copo reutilizável: ideias para poluir menos no Carnaval

Por Lúcia Müzell

Todos os anos, o Carnaval leva milhões de foliões às ruas de todo o país para se divertir e esquecer os problemas durante a maior festa popular do Brasil. E a cada vez, a celebração deixa um rastro de toneladas de poluição para trás. Com o aumento da conscientização, a preocupação com o impacto ambiental da festa vai além das garrafas e adereços deixados nas ruas pelos foliões.

Purpurina e confetes biodegradáveis, fantasias reaproveitadas, copo reutilizável. As alternativas ecologicamente corretas estão aí e convidam os carnavalescos a festejar sem esquecer da responsabilidade ambiental.

O glitter que dá brilho aos rostos e corpos das mulheres não precisa mais conter microplásticos – sim, o produto nada mais é do que uma impressão metalizada em um filme plástico, cortado em partículas minúsculas, que uma vez espalhadas, poluem os solos e vão parar nos oceanos.

Na purpurina responsável, a técnica da fabricação é a mesma, porém sobre celulose de eucalipto regenerado – portanto, é biodegradável. Já existem várias marcas no mercado, como a Glitra.

“As pessoas falam ‘ah, é só um pouquinho de purpurina’. Mas de pouquinho em pouquinho, vira um pouquinho muito perigosos. Imagine todas as escolas de samba, todos os blocos, no Rio, em São Paulo, no Pará e em tantos outros lugares. São toneladas”, afirma a fundadora, Maíra Inae. “A gente espera que, aos poucos, essa consciência se amplie e em breve a gente não tenha mais purpurina, uma medida que está avançando em outros países, como na Inglaterra.”

Uma parte do lucro da Glitra é usada para fazer campanhas de conscientização sobre os perigos dos microplásticos, uma das ameaças mais graves aos ecossistemas marinhos. “Um estudo recente mostrou que quem consome peixes ou frutos do mar acaba ingerindo 11 mil partículas de microplásticos por ano. Até para quem é vegano ou vegetariano, precisa saber que o microplástico está na água que a gente bebe, porque os nossos sistemas de filtragem de água não conseguem barrá-los”, adverte a ativista.

Copos no pescoço

Outro problema antigo do Carnaval é o uso abusivo de produtos descartáveis, a começar por copos de cerveja até os confetes que animam a folia. Para esses dois exemplos, porém, já existem soluções que não agridem o ambiente.

O copo pode virar parte da fantasia, preso com um cordão, e ser reutilizado todos os dias de festa. A Menos 1 Lixo, entidade que prega mudanças nos hábitos de consumo, põe à venda modelos coloridos que não destoam do cenário festivo.

“Só no Brasil, a gente consome 720 milhões de copos descartáveis por dia. O Carnaval é uma festa de rua, na qual se bebe muito, e o copo auxilia nesse momento. Você o carrega no pescoço ou na cintura, sem perigo de perder”, explica a gerente de conteúdo Marina Marcucci. “Quando você adota esse hábito, você sai de casa levando o celular, a carteira e o copo. A ideia é essa: nunca mais precisar consumir um descartável.”

Já os confetes podem ser fabricados artesanalmente, com folhas caídas de árvores e a ajuda de um furador de papel. O acúmulo dos milhões de pedacinhos de papel a cada carnaval causa entupimento de bueiros e poluição do mar.

Os confetes sustentaveis facebook.com/referencialverde

O engenheiro ambiental Vitor Sampaio comanda a plataforma de educação ambiental Referencial Verde, pela qual lançou a ideia nas redes sociais. Ele se surpreendeu com a repercussão: em poucos dias, o post teve mais de 100 mil compartilhamentos.

E para quem está com preguiça de confeccionar os próprios confetes, tem uma sugestão. “Se a gente pensa de um ponto de vista mais social, é muito bacana a gente poder sentar num dia, juntar os amigos e os familiares, e ensinar aos filhos como você pode trabalhar de uma forma mais sustentável. Fazer dessa atividade algo mais orgânico e interativo, com uma musiquinha de carnaval para já ir entrando no clima”, propõe.

Mudanças necessárias

A maior festa nacional ainda tem muito a repensar em práticas sustentáveis. A fabricação de fantasias, à base material sintético e com penas de animais, é fonte importante de resíduos antes e depois da produção, já que a maioria delas é utilizada apenas uma vez.

Garis recolhem lixo deixado nas ruas por foliões Divulgação-/omlurb

Nos sambódromos, os carros alegóricos chegam a ser descartados em plena rua, após os desfiles. No ano passado, somente em quatro dias, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou o recolhimento de 486 toneladas de lixo gerado pelos blocos de rua.

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