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Brasil rejeita presença africana desde século 19, diz Beatriz Mamigonian, especialista em escravidão moderna

Por Márcia Bechara

Beatriz Mamigonian é professora de História do Brasil e de História da Diáspora Africana nas Américas na Universidade Federal de Santa Catarina, além de pesquisadora pelo CNPq. Especialista em escravidão moderna, ela esteve em Paris a convite da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais para uma série de conferências. Na entrevista à RFI, ela falou sobre exclusão da população afrodescendente da história brasileira, tráfico ilegal de escravos, racismo e resistência.

*Para ver a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo

O Brasil, enquanto Estado-nação, rejeitava a presença africana desde o século 19. É o que revela a professora e pesquisadora, considerada uma autoridade em escravidão moderna. "Ao mesmo tempo em que continuava a importar muitos escravos até 1850, [o Brasil] rejeitava a presença deles como parte da população", conta Beatriz Mamigonian.

"Existia um ideal de embranquecer [a população], com o projeto de trazer imigrantes e rejeitar a presença africana em vários sentidos. Por outro lado, a cultura brasileira é inegavelmente fruto dessa presença africana. A própria intelectualidade brasileira, a partir dos anos 1930, não tem como contornar a presença africana e o impacto da escravidão na história do Brasil", diz.

"O desligar [brasileiro] da África já se dá no século 19, com o fim do tráfico [de escravos], fica a conexão das religiões afro-brasileiras com a África, mas isso está mudando. Desde 2003, uma lei federal do governo Lula estipula que o ensino de história da África e da cultura negra seja ministrado nas escolas. Essa lei proporcionou uma formação de pesquisadores em África e a publicação de muito material sobre o assunto", afirma a Mamigonian.

Bolsonaro e quilombolas

Para Beatriz, a herança cultural dos afrodescendentes não está ameaçada [pelo governo Bolsonaro] porque "ela vai sobreviver". "A história dos africanos é de resistência, sempre foi. Uma resistência cultural à escravidão, à opressão e a essa tentativa de aniquilamento", diz a pesquisadora. 

"Já a existência física dos quilombolas, as políticas públicas... Vão precisar enfrentar essa adversidade acrescida, aumentada. Agora, os líderes constumam ser perseguidos, como os líderes de todos os movimentos sociais, os líderes quilombolas, os indígenas", afirma Beatriz Mamigonian.

Escravidão moderna

"O Brasil se torna independente em 1822, faz uma Constituição em 1824 e a estrutura do Estado é montada para defender a escravidão e, a partir dos anos 1930, para defender a continuação do tráfico de escravos, mesmo ilegal. Entram no Brasil, importadas ilegalmente, mais de 900 mil pessoas, entre 1830 e 1856. Essas pessoas são mantidas em escravidão ilegal", diz.

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