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Brasileira Simone Menezes é finalista do 1° concurso mundial de regentes mulheres em Viena

Por Adriana Brandão

A brasileira Simone Menezes, que também tem nacionalidade italiana, foi uma das três finalistas da etapa europeia do primeiro concurso mundial dedicado a maestros mulheres (MAWOMA – Music And Women Maestra). A final aconteceu nessa quinta-feira (11) em Viena, berço da música clássica. A regente ítalo-brasileira, radicada na França, ficou em segundo lugar, mas considera uma vitória ter sido finalista.

Simone Menezes concorreu com as regentes Vanessa Benelli Mosell, da Itália, e Johanna Malangré, da Alemanha. Regendo a Orquestra de Câmara de Viena, ela interpretou três obras: a Sinfonia n° 7 de Beethoven, o Concerto para violino n °3 de Mozart, e uma obra contemporânea do francês Tanguy, Incanto para orquestra. Apesar de não ter sido vitoriosa, para ela já foi um privilégio participar do concurso e mostrar seu trabalho ao júri renomado.

“Para mim, foi uma experiência muito interessante poder participar desse concurso. A minha ideia foi chegar e fazer a música realmente da forma que eu acreditava. Fiquei muito contente com a reação tanto da orquestra, quanto do público, que foi a mais calorosa possível. Mesmo a reação do júri foi muito calorosa. O júri realmente gostou do meu trabalho”, comemora.

Simone Menezes nasceu em São Paulo, em uma família de origem italiana. Ela se formou em música na Unicamp e foi aluna de John Neschling, no início da aventura do maestro na Osesp, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, nos anos 1990. Depois, em 2007/2008, veio à Europa, e se especializou em Paris e Londres. De volta ao Brasil, assumiu a Orquestra Sinfônica da Unicamp, por concurso público, e fundou a Camerata Latino-Americana. Desde 2016, ela resolveu se radicar em Lille, no norte da França, e tem uma sólida carreira de regente.

Feminismo na música clássica

Simone Menezes milita ao lado de outras intérpretes contra a predominância dos homens no mundo da música. Ela acredita que o primeiro concurso mundial de regentes vem ajudar nessa luta pelo aumento da presença feminina no universo musical.

“Não só a música clássica, mas também o jazz, ou mesmo música popular, têm ainda um predomínio masculino. No caso da regência de orquestras, esse predomínio é muito importante. A gente tem cerca de 20% a 30% de mulheres regentes que saem das grandes escolas e menos de 4% trabalhando no mundo profissional. Recentemente, várias instituições importantes do mundo, como a Associação das Orquestras Britânicas ou o Ministério da Cultura da França, criaram mecanismos para diminuir essa barreira que impede que as mulheres, com a formação e com a competência necessária, atinjam esses lugares”, salienta.

Simone Menezes lembra que a imagem predominante dos maestros começou a mudar há 20 anos, com a chegada de regentes jovens e talentosos, como o venezuelano Gustavo Dudamel. Agora, “o concurso MAWOMA visa fazer a mesma coisa com a figura da mulher, isto é, que se torne normal no imaginário coletivo você ver uma mulher dirigindo uma orquestra”, espera.

A regente Simone Menezes foi uma das 3 finalista europeias do concurso mundial Mawoma (Music And WOmen MAestra). Charbel Chaves, Daniela Cerasolli, Clement Magnin and B.Bonansea

Villa-Lobos e Europa

Se o espaço para regentes mulheres é pequeno no mundo, no Brasil ele é menor ainda. Por isso, Simone Menezes resolveu viver na Europa. “Decidi me instalar na França porque é uma cultura que eu gosto, que já conhecia. Lille, sobretudo, é uma cidade bem localizada na Europa. Ela está a 1h de Paris, 1h15 de Londres e meia hora de Bruxelas. Se instalar na Europa significa para o mundo da música clássica abrir um mercado muito mais importante. Enquanto no Brasil a gente não tem mais de 30 grandes orquestras sinfônicas, só na França a gente tem muito mais do isso. Na Alemanha, tem o dobro. O mercado é muito maior para o trabalho de um regente.”

Um dos desafios de Simone Menezes na Europa é a promoção da música do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos internacionalmente. Juntamente com a pianista brasileira Sonia Rubinsky ela criou o “Projeto Villa-Lobos”. “Eu acredito que Villa-Lobos é um dos maiores compositores do século 20. Ele não tem esse lugar reconhecido no mercado da música clássica por algumas razões. A primeira é que ele está na América Latina, longe do contexto europeu. Segundo, nós nunca tivemos um trabalho de afinco realizado em torno do nome dele, como por exemplo o governo finlandês fez com o nome de Sibellius. O nosso objetivo é propor a música de Villa-Lobos nas principais salas de concerto da Europa para desencadear um processo para que sua obra seja vista e tocada”, detalha a regente.

Sem nenhum recurso público brasileiro, o projeto começa a dar resultados. Com o apoio do Conservatório de Paris, haverá em janeiro de 2020, uma semana Villa-Lobos na Cité de la Musique da capital francesa. Em junho, no Japão, Simone Menezes dará dois concertos com músicas de Villa-Lobos.

A etapa europeia do concurso mundial de regentes mulheres MAWOMA foi a primeira. Até o final do ano serão realizadas ainda cinco fases, em todos os continentes. O concurso brasileiro acontece em setembro, no Rio de Janeiro, e Simone Menezes tem a expectativa de participar, mas desta vez como integrante do júri.

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