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Ascensão de regime ultra-autoritário no Brasil deve servir de lição à França, afirma coluna no Libération

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"Nós, que no Brasil vemos a democracia morrer" é o título do artigo do jornal Libération desta segunda-feira 15 de abril de 2019 Fotomontagem RFI

O jornal Libération desta segunda-feira (15) traz uma coluna assinada pela filósofa e escritora brasileira Márcia Tiburi e pelo juiz de Direito do Estado do Rio de Janeiro Rubens Casara. "Nós, que no Brasil vemos a democracia morrer" é o título do artigo.


Segundo Tiburi e Casara, a ascensão de um regime neoliberal e ultra-autoritário no Brasil deve servir de alerta para os franceses, de forma a reunir suas forças progressistas para lutar contra o problema. Os autores do texto citam a cegueira dos brasileiros diante de fenômenos similares na Turquia, com Recep Tayyip Erdogan, e nas Filipinas, com Rodrigo Duterte.

"Porque só olhamos para nós mesmos, não soubemos identificar os sinais que conduziram à morte da democracia e à ascensão do autoritarismo", afirma o artigo. De acordo com Tiburi e Casara, os próprios xamãs brasileiros sempre alertaram que se seu universo fosse destruído, "o nosso também seria", reitera a tribuna.

A coluna também afirma que o silêncio atual na França sobre a América Latina, "em particular sobre os acontecimentos no Brasil desde 2013", é preocupante. "O processo em obra no Brasil pode destruir vitórias de civilizações em todo o mundo, inclusive na França", avaliam os autores. Para eles, como o Chile de Pinochet foi o laboratório do neoliberalismo nos anos 70, o Brasil pode se tornar o principal reduto do neoliberalismo ultra-autoritário, "visando suprimir os direitos fundamentais e controlar quem é visto como indesejável, mais precisamente os pobres e inimigos políticos".

Déjà-vu

Tiburi e Casara afirmam que, para aqueles na França que estão acompanhando o desaparecimento dos limites democráticos com o exercício do poder, a fragmentação do campo progressista e a destruição da imagem de líderes democráticos através de fake news, os últimos acontecimentos têm um ar de déjà-vu. Os autores comparam, por exemplo, o atual movimento dos "coletes amarelos" com as manifestações contra o aumento do preço das passagens de ônibus no Brasil, em 2013, "que terminou sendo explorado para atacar o governo democraticamente eleito", lembram.

Por isso, para eles, o exemplo do Brasil pode servir para evitar que erros sejam repetidos. Tiburi e Casara ressaltam que, no início, os brasileiros não entenderam que estavam diante do desafio histórico de lutar contra o retorno da barbárie, pela defesa da democracia e pelos valores da civilização. "O desenvolvimento do autoritarismo no Brasil nos permite dar um conselho a vocês, franceses: o momento não é mais para a divisão das forças progressistas", conclui o artigo publicado nesta segunda-feira no jornal Libération.