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“Discurso de ódio de Bolsonaro favorece ataques contra imprensa”, diz representante da RSF no Brasil

Por Elcio Ramalho

O Brasil piorou sua posição no Ranking mundial da Liberdade de Imprensa de 2019 publicado nesta quinta-feira (18). O país passou para 105° lugar - uma queda de três posições em relação ao ano anterior - de uma lista de 180 países analisados pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Com o título “A mecânica do medo”, o documento faz uma análise aprofundada do exercício da liberdade de imprensa e as condições dos trabalhos dos profissionais do jornalismo e constata um recuou global, incluindo em vários países do continente americano.  O Brasil ficou à frente da Venezuela (148°), Bolívia (113°), México (114°) e Cuba (169°), mas atrás da Argentina (57°) e Equador (97°).   

“É a pior classificação do país desde 2015”, constata Emmanuel Colombié, diretor para a América Latina da RSF. Ele explica o recuo por uma série de fatores, incluindo a violência contra jornalistas, fato já observado em relatórios anteriores.  

O documento destaca a morte de quatro jornalistas no país em 2018, sendo que três foram radialistas e dois casos com o envolvimento de vereadores na motivação dos crimes.

Outro problema apontado pela ONG é a falta de deficiências em termos de pluralismo, diversidade e transparência nos meios de comunicação, que estão  concentrados nas mãos de um pequeno número de proprietários. 

“Mas o que mais contribuiu para a deterioração do exercício livre do jornalismo no Brasil foi a atualidade política, principalmente no período eleitoral, marcada pela proliferação de estratégias de desinformação e um discurso público orientado pela crítica à imprensa, que gerou um sentimento geral de desconfiança em relação ao jornalismo e aos jornalistas”, explica Colombié.

“Essa desconfiança frequentemente se materializa em discursos de ódio, campanha de difamação e processos judiciais que acabam estimulando a autocensura no país”, acrescenta.

Colombié ressalta que um levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), detectou mais de 150 ataques contra jornalistas registrados só no período eleitoral.

“A chegada ao poder do presidente Bolsonaro veio acompanhada de um discurso de ódio generalizado pelas equipes do Bolsonaro, mas também por seus apoiadores, que são muito bem organizados nas redes sociais e atacam de maneira direta os jornalistas que divulgam informações que vão incomodar interesses do partido e do presidente do país”.

"Prenúncio de um período sombrio"

Em seu documento, a RSF destaca que a eleição de Bolsonaro “é um prenúncio de um período sombrio para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil”.

“Desde que foi eleito, o presidente Jair Bolsonaro manteve o tom crítico adotado durante a campanha e trata jornalistas e uma parte da imprensa como inimigos do governo e do país. Isso é muito perigoso”, destaca o diretor da ONG para a AL.

Segundo Colombié, o comportamento do presidente nas redes sociais reforça de maneira sistemática as tensões com a imprensa.

“O discurso de ódio de Bolsonaro vai favorecer os ataques contra a imprensa”, ressalta o especialista, citando as diferenças formas de atingir os jornalistas e de intimidar o trabalho da imprensa, como as ameaças verbais, virtuais e até físicas.   

“Com esse governo, esse clima e liberação do ódio, que não tem que ver apenas com a imprensa, mas também com defensores dos direitos humanos e minorias do país, vai provocar um aumento dos ataques e uma desconsideração geral para a profissão dos jornalistas e a liberdade de expressão em geral”, acrescenta.

Uma das consequências dessa liberação do ódio, destaca a RSF, é o risco de autocensura. “Esses discursos de governos e dos políticos podem encorajar ataques diretos, ameaças e violências. No Brasil, ainda temos assassinatos de jornalistas.  Isso é inaceitável em uma democracia”, observa.

A ONG estabeleceu como prioridade de suas ações no Brasil este ano denunciar o clima de ódio e a multiplicação dos ataques contra os jornalistas, muitos deles por meio das plataformas digitais, e as campanhas de desinformação por meio das redes sociais. “Temos a sensação que as coisas irão piorar e é importante seguir denunciando o que está acontecendo aqui”, conclui.

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