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Embaixada brasileira lança cartografia para mapear o ensino do português na França

Por Maria Emilia Alencar

A RFI conversou com o diplomata Rodrigo Randig, chefe do setor de educação e promoção da língua portuguesa da embaixada brasileira em Paris sobre a criação de uma cartografia que mapeia o ensino do português na França. O projeto foi feito em parceria com a Universidade de Clermont Ferrant, que fica na região da Auvergne.

“A embaixada brasileira em Paris tem um setor dedicado à educação e à promoção da língua portuguesa, que é um dos pilares de atuação externa do Brasil. Entendemos que promovendo a língua portuguesa, promovemos também a nossa cultura. Não só a brasileira como a dos demais países, esse conjunto que forma a chamada lusofonia”, explica Rodrigo Randig.

O diplomata conta que a ideia se iniciou há dois anos. “Fizemos o primeiro encontro de professores de língua portuguesa. Entre os vários resultados desse encontro, uma ideia que surgiu foi a de elaborar essa cartografia, que foi realizada nestes últimos dois anos, cuja ideia era fazer um mapeamento de onde se ensina português na França. O que não existia até então e estamos muito felizes de poder lançar essa ferramenta”, revela o diplomata.

“Descobrimos que o ensino de português é bem distribuído na França. Todas as regiões da França continental, digamos assim, têm curso de português, com exceção da Córsega. O português é muito falado. A estimativa é que seja a língua materna mais falada depois do francês. Mas não por causa de brasileiros, e sim pelos portugueses”, conta Randig.

Sem competição

Para o diplomata, é importante não enxergar uma competição entre Brasil e Portugal. “Aqui na França escutamos muitas pessoas dizerem “você fala brasileiro”, e nós lutamos contra essa ideia para dizer que é uma língua só, que é a língua portuguesa, que o esforço de Portugal ajuda o esforço do Brasil. Acho que com a ajuda de Portugal, estamos conseguindo fazer ações em prol da língua”, afirma.

“É claro que há talvez uma demanda bastante grande pelo português brasileiro nas universidades, onde a oferta padrão é a do português europeu. Mas eu acho que uma coisa não exclui a outra. Um professor português pode ensinar também a variante brasileira, como um professor brasileiro pode mostrar as diferenças entre as duas formas, do mesmo modo que acontece com o inglês, com o espanhol e mesmo com o francês”, explica Randig

Fim do português em prova de conclusão de ensino médio

Apesar do grande interesse dos franceses pelo português, recentemente o ministério da educação do país decidiu retirar o idioma das quatro principais línguas do Baccalauréat, que é o exame de conclusão do ensino médio. Para o diplomata, não houve uma ação voluntária contra o português “É importante deixar claro que não foi algo especificamente contra a nossa língua. Atualmente há uma longa lista de mais de 10 línguas. Você pode escolher o russo, o árabe, etc. O que a reforma anunciou é que a língua estrangeira terá que ser uma entre as quatro definidas, que são inglês, italiano, alemão e espanhol”, explica Randig.

“Mas a embaixada, desde que tomou conhecimento, passou a incluir esse tema em todas as reuniões bilaterais que nós temos, tanto aqui em Paris quanto em Brasília, para argumentar que essa escolha não faz sentido. Se o português é a língua de migração mais falada na França, nós tentamos mostrar que não há uma lógica na escolha", afirma.

"Em termos de falantes, o português, com 270 milhões de falantes, tem o dobro de falantes do alemão e no mínimo três vezes mais falantes do que o italiano. Se você diz que essas línguas foram escolhidas por serem línguas de fronteira, pois bem, não podemos esquecer que a maior fronteira da França no mundo é com o Brasil, no caso da Guiana Francesa. Então o português também é uma língua de fronteira. O que estamos tentando mostrar é que, sobre qualquer aspecto, o português deve ser mantido entre essas principais línguas”, conclui o diplomata.

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