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Intolerância a valores progressistas pode impactar na publicidade, diz pesquisadora

Por Elcio Ramalho

Estudiosa da história da publicidade brasileira, a pesquisadora Maria Eduarda da Rocha, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) constata que a censura de uma campanha do Banco do Brasil pelo presidente Jair Bolsonaro, em abril, canalizou uma resistência ao uso de valores progressistas pelas peças publicitárias no país. A incorporação da responsabilidade social se iniciou nos anos 1980 e se acentuou após a conferência Rio+92, que instaurou a preocupação ecológica e abriu as portas para a inclusão de outras áreas como educação, saúde e cultura.

Naquela época, lembra a pesquisadora, os grandes bancos sentiram a necessidade de se associar a institutos culturais para melhorar a própria imagem. Hoje, é a incorporação da diversidade racial, de gênero e orientação sexual que está em curso nas agências, que transmitem a preocupação das marcas em captar as mudanças dos tempos.

Entretanto, o episódio do Banco do Brasil instala um marco. “Há uma intolerância a valores progressistas que estavam se refletindo na publicidade brasileira”, afirma Rocha, em entrevista à RFI.

Rejeição crescente às grandes empresas

A professora de sociologia, que esteve em Paris para palestras e aprofundar pesquisas sobre o sociólogo francês Pierre Bourdieu, nota que, ao mesmo tempo, a visão negativa sobre as grandes empresas tem aumentado muito. Começou nos anos 1980, com as marcas de cigarros e bebidas.

Mais recentemente, são as fabricantes de automóveis e de telefonia que enfrentam resistência. “É um movimento global, como pudemos ver com os protestos dos coletes amarelos aqui na França. Há uma certa percepção de que o mundo vai muito bem para o 1% mais rico, e muito mal para o resto”, analisa.

Rocha é autora de “A nova retórica do capital: a publicidade brasileira em tempos neoliberais”, fruto de sua tese de doutorado na USP. O trabalho rendeu-lhe um prêmio Jabuti na categoria Comunicação, em 2011.  

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