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Cantora brasileira Katya Teixeira leva música de raiz para Europa

Por Elcio Ramalho

Cantora, compositora e pesquisadora de cultura popular, Katya Teixeira chegou à França para dar sequência a uma turnê por vários países da Europa. Ela celebra e divulga seus 25 anos de carreira e, ao mesmo tempo, negocia a ampliação de seu projeto de promoção internacional de música de raiz e étnica.

Depois de passar por Portugal e Espanha, a paulistana tem uma agenda de shows em Paris e diversas cidades do interior. “Trago um pouquinho do Brasil, dos Brasis. Nosso país é diverso, plural e até os próprios brasileiros não o conhecem. Eu trago um pouco desse universo e desse sentimento brasileiro”, explica.

No repertório estão as músicas de seis cds e os três novos singles lançados simultaneamente em português e espanhol. Suas canções, compostas por ela mesma ou em parcerias, misturam poesia, história, tradições, personagens e ritmos populares de várias regiões do Brasil e, mais recentemente, também dos países vizinhos.

Filha de um alagoano e uma mineira, Katya teve contato desde cedo com as culturas regionais ao investigar sua própria história familiar. Assim, Katya viu despertar sua vocação de artista e pesquisadora da vasta riqueza da cultura popular e de raiz.

“Através da cultura popular você consegue descobrir a identidade de um povo, em um sentido mais amplo. Eu não poderia ter escolhido outra linguagem de música senão essa”, justifica. 

Sua aproximação com Dércio Marques, músico e pesquisador das raízes da cultura popular do Brasil e de países da América Latina, está na origem do projeto Dandô. Ela decidiu trilhar o caminho já aberto pelo ídolo mineiro, que faleceu em 2012. “Ele abriu muitos caminhos, conectava muita gente e por que não manter isso?”, questiona.

Projeto na estrada

No ano seguinte ela já colocava na estrada os primeiros passos do projeto Dandô, de valorização dos artistas locais por meio de espetáculos itinerantes. Em suas viagens pelo Brasil, ela se encontrou com músicos regionais que aceitaram participar de um circuito musical.

Atualmente, o projeto envolve 50 cidades brasileiras e ultrapassou as fronteiras do país. Dandô tem versões locais no Chile, onde ganhou o nome de “Ruta de Violeta Parra”, na Venezuela e na Argentina. A estreia do projeto também está prevista na Colômbia.

Espalhando a “semente musical”, como gosta dizer, Katya diz que o projeto Dandô vai fincar raízes também no Caribe e futuramente na Europa. Contatos já estão feitos para que o velho continente absorva a cultura de raiz e popular vinda do Brasil e de seus vizinhos latino-americanos.

Em 2020 o circuito Dandô vai começar por Portugal, passar pela Galícia, no norte da Espanha, e, espera-se, também conquistar a França. As discussões estão bem adiantadas para as regiões de Auvergne (centro) e da Bretanha, no oeste do país.

A receptividade do público estrangeiro à musica de raiz brasileira é surpreendente. “Tenho a sensação que essa música tem uma memória ancestral. Nos lugares onde a gente chega as pessoas não a conhecem, mas têm a sensação de já ter ouvido. Não há estranhamento”, garante.

“A música brasileira é bem acolhida em qualquer parte do mundo. Música étnica e de raiz tem futuro porque tem a ver com a história da gente”, conclui.

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