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Mulheres têm papel fundamental no Tambor de Mina, diz antropóloga

Por Paloma Varón

Tambor de Mina é uma prática religiosa de origem africana nascida no Maranhão com uma forte influência do catolicismo popular, na qual as entidades recebidas remetem ao antigo reino do Daomé, atual Benin. Em entrevista à RFI, a pesquisadora Marilande Martins revela o importante papel da mulher nesta religião.

Professora do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão, Marilande faz atualmente pós-doutorado na Universidade Paris-Diderot e na Escola Prática de Altos Estudos.

Vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular, a antropóloga e psicanalista realiza pesquisas etnográficas sobre religiosidades de ancestralidade africana no Estado do Maranhão. Ela observou no Tambor de Mina um papel crucial dado às mulheres.

É justamente este protagonismo feminino que interessa à pesquisadora. Segundo Marilande, o Tambor de Mina nasceu a partir de uma senhora que se chama Ná Agotimé – isso foi descoberto a partir de pesquisas do fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger – que foi vendida como escrava, chegou ao Maranhão e lá abriu o primeiro terreiro.

Laços matriarcais

“Desde que a antropologia começou a se ocupar do Tambor de Mina, ela observou a importância das mulheres e como essa religião se constitui a partir dos chamados laços matriarcais. Ou seja, é uma prática religiosa onde elas estão na posição de líderes espirituais, são as chefes dos terreiros”, conta.

Marilande observa que são as mulheres que preparam todos os rituais de iniciação e são elas também que recebem as entidades – os voduns e os caboclos – durante os rituais. “São elas que mediam o mundo dos encantados e o mundo material.”

No Tambor de Mina tradicional, nascido no século XIX, as mulheres ocupam a chefia, definem os laços que se estabelecem no terreiro e ocupam o papel importante que é emprestar o corpo para receber as entidades. Aos homens, cabe a função ritual de tocar os tambores, ela relata.

“Eu faço um trabalho etnográfico e antropológico, num terreiro de Tambor de Mina fundado em 1896 e é exatamente neste modelo que as mulheres ocupam um lugar de liderança. A ideia desta conferência é exatamente utilizar este meu trabalho de campo e fazer uma interlocução com alguns conceitos da psicanálise”, diz.

De acordo com a pesquisadora, existem elementos do Tambor de Mina, sincretizados com outras religiões de matriz africana, em diversos Estados brasileiros. “Eu tento compreender um pouco o que seria este sincretismo. Este modelo do terreiro que eu estudo, ele já não é mais a realidade do Tambor de Mina no Maranhão. Hoje ele é sincretizado com o candomblé, com a umbanda e é fortemente dominado por homens”, explica. Marilande conclui dizendo que, mesmo quando os homens ocupam o lugar de destaque, a segunda pessoa do terreiro é sempre uma mulher.

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