rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Criminalizar homofobia no Brasil é uma vitória, “mas não é suficiente”, diz deputada Erica Malunguinho

Por Silvano Mendes

A educadora, artista e ativista brasileira Erica Malunguinho passou por Paris essa semana, onde participou de um evento afro-feminista. Em entrevista à RFI, ela comentou a decisão do STF de criminalizar a homofobia e a transfobia, além a reação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que classificou a medida de “equivocada”.

Erica ficou conhecida do grande público ao ser a primeira mulher trans negra eleita deputada no Brasil. Uma etiqueta que chama a atenção da imprensa francesa, que a solicita durante sua passagem por Paris, onde participa do evento Afrociberfeminismos, na Gaîté Lyrique, um local de exposições, conferência e espetáculos na capital francesa. Mas a ativista também é bastante questionada nesse momento em razão do contexto atual brasileiro, principalmente com a decisão do STF, anunciada essa semana, de criminalizar a homofobia e a transfobia no país.

“Essa decisão não é suficiente”, lança a deputada. “Eu considero uma vitória histórica e é fundamental que haja a lei. Mas pouco adianta se ela não vier acompanhada de um pacto social e de uma mobilização da sociedade”, avalia. A deputada lembra que o Brasil tem um histórico de leis ineficazes. “O racismo é um crime inafiançável e nós vemos constantemente pessoas negras serem discriminadas e violentadas, com crimes raciais, e não há investigação”, assinala.

Além disso, a ativista não acredita que punir seja a única solução. “Entendo que essas leis são importantes, mas espero que elas sejam de forma transitória. [Espero] que não haja necessidade de punição ou de criminalização para que as pessoas compreendam o mínimo, que é o respeito ao corpo do outro e a existência do outro”, insiste.

Erica também comenta a reação do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que alegou que a criminalização da homofobia poderia aumentar da discriminação. O chefe de Estado, que chamou a medida do STF de “equivocada”, disse que, temendo uma possível punição, um empregador pensaria “duas vezes” antes de contratar uma pessoa LGBTQI. “Nós temos um chefe de Estado equivocado”, rebate a deputada, lembrando que o presidente fez comentários do gênero ao falar da contratação de mulheres, negros quilombolas ou indígenas. “Ele só tece sobre o punitivismo quando não está relacionado a grupos historicamente violentados. Isso só justifica a mentalidade perversa que o nosso chefe de Estado tem em relação a grupos que necessitam, sim, deste amparo do Estado, do ponto de vista de proteção”, frisa Erica.

A deputada é enfática em suas críticas, sem medo de represálias. Ao ser comparada a Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro, que defendia algumas de suas pautas atuais, Erica responde: “Viver é perigoso, mas para o sistema, eu já nasci morta. Já estou além da expectativa de vida de uma mulher transgênero e negra. O maior ato de resistência é um corpo negro vivo”, finaliza.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima ou assista o vídeo abaixo.

Monólogo de ator brasileiro em Avignon resgata canções desconhecidas de Pasolini, entre erotismo e engajamento

Ricupero: Bolsonaro nomear filho embaixador nos EUA “é chocante e sem precedentes”

Rodrigo Ferreira: dos templos evangélicos no Brasil à cena lírica internacional

“O combate à corrupção no Brasil é uma mentira”, diz sociólogo Jessé Souza

Christiane Jatahy em Avignon: “Há no Brasil um pensamento ditatorial para calar a diferença”

“ONU está em alerta para acolher defensores de direitos humanos do Brasil”, diz deputada Renata Souza

“Lutamos tanto para conquistar um pouco de direitos humanos e a gente vai retirar isso?” questiona Marcelo D2 em entrevista em Paris

Acordo UE e Mercosul não é motivo para ufanismo em queda de preços, diz ex-embaixador Graça Lima

Tecnologias do semiárido brasileiro podem ajudar a alimentar imigrantes venezuelanos na Colômbia

"Governo de divisão social, oposto dos anteriores", diz autor de livro sobre Bolsonaro

Advogada do Consulado em Los Angeles analisa situação de brasileiros sem documentos nos EUA

"O ator precisa ter cartas na manga", diz Letícia Spiller sobre carreira de cantora

Brasil não é um dos países que mais usa agrotóxicos, isso é “balela”, diz ministra Tereza Cristina

“Bolsonarismo é uma articulação de radicalismo liberal com autoritarismo social”, diz professor da UERJ

Intolerância a valores progressistas pode impactar na publicidade, diz pesquisadora

Entre identidade e melodia, sambas-enredo "recuperam identidade brasileira", diz intérprete Ana Guanabara

"Camocim", documentário de Quentin Delaroche, recupera juventude idealista do interior de Pernambuco, no caos do esvaziamento ideológico do Brasil