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Brasileiro de 13 anos é primeiro sul-americano no principal concurso de violino do mundo

Por RFI

Guido Sant’Anna é o primeiro latino-americano a ser chamado para participar da Competição Menuhin, em Londres, a mais prestigiosa premiação do mundo para violinistas. Ele foi um dos seis finalistas entre 317 músicos, de 51 nacionalidades.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

O brasileiro de apenas 13 anos impressionou o júri de músicos profissionais. E ainda foi escolhido o mais talentoso pelo público pela internet. O encantamento foi tal que se resolveu que, justamente pelo potencial de uma das maiores promessas brasileiras para o mundo da música, o garoto precisava de um violino novo.

Não propriamente novo, mas um instrumento que seja capaz de alça-lo ao Olimpo musical. Ele vinha usando instrumentos emprestados pela professora. O que tem agora é um violino para chamar de seu. Trata-se de um Cremona de 1833. Não é dado, mas emprestado pelo tempo que estiver disposto a guardá-lo.

Patrimônio da Humanidade

O ofício de luthier em Cremona, pequena cidade italiana que fabrica desde o século XVI alguns dos melhores violinos do mundo, é considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO desde 2012.

Foi com o novo “brinquedo” que esse menino se apresentou em um concerto na embaixada do Brasil em Londres, acompanhado pelo pianista Gordon Black, que é diretor artístico da competição Menuhin.

Era apenas o seu primeiro dia com o novo instrumento. Mas pareciam velhos amigos inseparáveis. “Costuma levar tempo para um músico se adaptar a um violino. Mas era como se ele tivesse tocado nele muitas vezes”, disse Black.

Guido não é de falar muito. Passa a entrevista meio que dedilhando o violino. Ele conta que seu sonho é tocar melhor, com grandes orquestras pelo mundo. O que faz nas horas vagas? O mesmo que todo garoto da sua idade: joga videogame e assiste vídeos na internet.

Sonho de família musical

A mãe, Glauce Sant’Anna, que está sempre ao seu lado, conta que precisa ficar em cima para que ele estude. O sonho do violino é dela também. Filha de pianista, ela fez questão de aprender um pouco de violino para ensinar aos três filhos. O mais jovem sobressaiu. E, desde os cinco anos, quando começou a tocar, parece se transformar com o instrumento na mão. Perde o jeito de menino e vira música. “Com cinco anos era só brincadeirinha. Você se desenvolve ao longo dos anos que você toca, faz apresentação e, aos poucos, você sabe que é a sua coisa mesmo”, diz Guido.

Gordon Black diz ao público que, se fechar os olhos, já não escuta uma criança. Afirma que ele poderia ser até mesmo Yehudi Menuhin, considerado um dos maiores violinistas do século XX, que era americano, mas passou a maior parte da carreira no Reino Unido.

Guido nunca estudou teoria musical formalmente. Mas a sua relação com o violino parece natural. Ele diz que não sabe bem ainda o que pretende fazer da vida. Mas está muito claro que o seu futuro é o violino.

Bolsas financiam estudos

De origem simples, Guido tem bolsa integral para estudar na escola americana em São Paulo, e tem também uma bolsa de um mecenas estrangeiro misterioso que não quer ser identificado. É ele que paga as aulas com a professora Elisa Fukuda, seus deslocamentos para concursos e até uma parte do aluguel da casa para onde o menino e família se mudaram para estarem mais perto dos estudos.

Mas a ajuda tem prazo. Vai até fevereiro do ano que vem. Guido vai precisar de apoio para dar asas aos sonhos e mudar de patamar. Ele não descarta estudar fora. A mãe acha também que é o melhor caminho. Mas o reconhecimento que o prodígio conquistou até agora e todos os prêmios não são suficientes para que leve a carreira adiante.

Seu primeiro concerto foi com o regente Júlio Medaglia. Ele também tocou com João Carlos Martins. Os dois têm apostado no talento de Guido, que descobriram ainda bem pequeno.

O violinista já tocou como solista Brasil afora com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Johann Sebastian Rio, Camerata Sesi, de Vitória, Orquestra do Festival Virtuosi, em Pernambuco, Camerata UFMT, no Mato Grosso, e Orquestra Ulbra, no Rio Grande do Sul.

 

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