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Brasil não é um dos países que mais usa agrotóxicos, isso é “balela”, diz ministra Tereza Cristina

Por RFI

A ministra brasileira da Agricultura Tereza Cristina chefiou a delegação do país durante a 41ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O evento culminou com a eleição do chinês Qu Dongyu como novo diretor geral da agência em Roma no lugar de José Graziano da Silva. Em entrevista exclusiva à RFI, a ministra negou a acusação de que o Brasil seria um campeão de agrotóxicos.Ela também anunciou que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode avançar durante uma reunião prevista para esta semana.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

Na manhã desta segunda-feira (24) em discurso ao plenário, a ministra disse que “o protecionismo em países desenvolvidos tem impedido a revolução verde em países emergentes”. Tereza Cristina defendeu ainda um “comércio agrícola livre e justo”, ao afirmar que o Brasil desenvolveu graças à tecnologias uma “agropecuária tropical sustentável e altamente produtiva” que “quintuplicou a produção de grãos”, apesar da “área ocupada pelas plantações permanecer praticamente a mesma”.

Em entrevista à RFI, Tereza Cristina falou sobre as negociações entre Mercosul e União Europeia, da situação do INCRA e da liberação de agrotóxicos que em 2019 já chega a 169 substâncias.

RFI: Por que a decisão de votar no candidato chinês, agora eleito?

Ministra Tereza Cristina: Porque a China é o maior parceiro comercial brasileiro e não só o Brasil bem como outros países da América do Sul, resolvemos que apoiaríamos o candidato chinês. Tomamos a decisão de apoiá-lo em bloco em uma reunião entre Brasil, Chile, Argentina e Uruguai que tivemos no mês passado no Chile.

RFI: No contexto das negociações de isenção de tarifas comerciais entre Mercosul e União Europeia, como fazer com que mais produtos agrícolas brasileiros respeitem as normas fitossanitárias europeias para que possam ter acesso ao mercado europeu?

TC: Eu acho que o problema não são questões fitossanitárias e sim as barreiras tarifárias. A questão fitossanitária é resolvida no momento em que ela acontece e o Brasil já resolveu todos os seus problemas sanitários, tanto que exporta para 160 países e continua exportando para a Europa. Às vezes, a barreira sanitária se torna uma barreira comercial e é isso que precisamos discutir. Há várias equipes técnicas discutindo isso e vamos ver se dessa vez este acordo entre Mercosul e União Europeia de fato acontece. Os impedimentos hoje estão sobretudo na área comercial, são as barreiras tarifárias que têm impedido [a exportação de] carnes, vinhos, leite e outros produtos que são caros ao Brasil. Temos também alguns problemas com identificação geográfica. Tudo isso foi colocado à mesa. Acho que o acordo vem caminhando e espero que na semana que vem as coisas se decidam. As decisões estão ocorrendo e se tudo se encaminhar bem com as equipes técnicas e se forem vencidas algumas barreiras nossas, do Mercosul e também da União Europeia, resolvidos os pontos críticos entre os dois blocos, deve acontecer na sexta-feira a reunião final.

RFI: Como avalia a situação atual do INCRA e o que espera para o futuro na questão fundiária e distribuição de terras no Brasil?

TC: O INCRA é a maior imobiliária do mundo, tem 88 milhões de hectares. Eu acredito que não tenha ninguém que tenha mais terras nas mãos do que o INCRA. O que estamos fazendo é uma checagem de vários cadastros, uma unificação para que possamos titular, entregar os títulos e regularizar a grande maioria das terras daqueles que já têm o direito pela lei brasileira a ter estes títulos. Eu espero que isso agora no segundo semestre aconteça de maneira firme e forte e que possamos garantir àqueles que detêm o direito à terra a recebê-la.

RFI: A ONU declarou neste ano a Década da Agricultura Familiar, como acredita que a agricultura familiar possa se desenvolver ainda mais no Brasil?

TC: A agricultura familiar precisa se desenvolver muito. Nós precisamos dar toda a atenção a ela e a questão só vai ser resolvida com assistência técnica e crédito compatível com a atividade. Temos o problema que todas as agriculturas têm hoje: ela é uma só, mas cada uma dentro do seu tamanho, de infraestrutura, de acesso a mercados, de segurança alimentar. Enfim, nós estamos reorganizando a agricultura familiar que é forte e grande no Brasil. Mas que sem assistência técnica, fica faltando um dos tripés para o sucesso desta agricultura. Este é um dos principais enfoques, metas com resultados que o ministério quer atingir.

RFI: A FAO recomenda cada vez menos o uso de agrotóxicos. Acredita que o Brasil esteja indo na contra-mão?

TC: Não, o Brasil não está indo na contra-mão, o país assinou vários acordos internacionais, está dentro do que a Organização dos Estados Americanos (OEA) prevê. Não é um dos países que mais usa agrotóxicos, isso é uma “balela’, é um mito. O que o Brasil tem feito é quebrar a patente de grande empresas colocando genéricos que há muito estavam na lista para agora irem ao mercado.

Tereza Cristina cumprimenta o brasileiro José Graziano da Silva, que deixa o cargo de diretor geral da FAO R. Belincanta

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