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Sucesso nos anos 80, banda Rumo volta com disco inédito

Por Maria Paula Carvalho

Criado em 1974 por um grupo de amigos e estudantes da USP, a banda Rumo está de volta. Eles lançam um novo álbum e retomam a trajetória de sucesso que encantou várias gerações. A RFI conversou, em Paris, com Geraldo Leite, um de seus integrantes.

Para ver e entrevista completa clique no vídeo abaixo.

Para quem não conhece ou não se lembra, o Rumo nasceu na época da chamada “Vanguarda Paulistana”. “Nós somos de uma época em que surgiu o teatro Lira Paulistana, que congregava todo mundo que queria ter um trabalho novo e que era contra a ditadura militar. Junto conosco surgiram nomes como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, o Premeditando o Breque, Banda Metalurgia e vários outros”, relembra Geraldo Leite.

Os primeiros discos foram gravados em 1981 e o auge do sucesso aconteceu em meados da década de 1980 e início dos anos 1990. Naquela época, a crítica dizia que se tratava de uma música quase falada.

“Nós fazíamos isso propositadamente. Nós éramos um grupo musical e, ao mesmo tempo, de estudo. Então nós tínhamos reuniões de ensaios e de discussão teórica com objetivo de descobrir o sentido da canção”, explica Leite. “Com ajuda do Luiz Tatit, que é o integrante principal do Rumo, e que depois desenvolveu toda uma carreira teórica, nós descobrimos que a questão da origem da canção brasileira estava muito ligada à fala, à entonação. Isso justifica Noel Rosa, Lamartine Babo e Sinhô produzirem canções tão boas sem terem conhecimento musical e literário”, completa.  

O grupo se desfez e foi retomado várias vezes. Em 2004, o Rumo gravou um DVD celebrando seus 30 anos de existência. E desde então, seguiu fazendo shows esporádicos.

A formação atual é composta por Ná Ozzetti, Luiz Tatit, Helio Ziskind, Gal Oppido, Paulo Tatit, Pedro Mourão e Akira Ueno, além de Leite. 

Lançamento

Eles não gravavam juntos havia nove anos. Até que em 2019 lançaram “Universo”, pelo Selo SESC, somente com músicas inéditas.

“Esse trabalho caiu do céu. Nós fomos procurados por um produtor maravilhoso chamado Márcio Arantes, que tinha o sonho de fazer um disco com a gente, só de músicas inéditas. Nós adoramos a ideia porque o Rumo tinha praticamente acabado, já que vários integrantes tiveram que fazer carreira solo", conta Leite. "A essência continua a mesma, com a diferença que, com o passar do tempo, todos nós ficamos mais maduros”, afirma.

Documentário e referência na música infantil

O disco novo coincide com o lançamento do documentário “Rumo”, dirigido por Mariana Pamplona e Flavio Frederico, recentemente selecionado para a Mostra de Cinema “É tudo verdade”.

“Nós não planejamos isso, mas deu muito certo, de conseguir lançar um CD e ter alguém que se interessou em pegar a história do Rumo e fazer um documentário, usando animação para mostrar os nossos sonhos. O filme mostra como nós achávamos que, com as músicas do Rumo, iríamos mudar o mundo e como isso não foi possível”, conta.

Além dos shows para o público adulto, o grupo fez história compondo para crianças. “Em 1988, nós lançamos ‘Quero passear’. Nós fizemos um trabalho infantil, comandado pelo Pedro Mourão, com músicas do grupo. A única exceção era um trabalho do Woody Guthrie, de quem fizemos uma versão chamada 'Canção do Carro' para Car song, nome em inglês. Esse disco foi uma referência para o mercado, para a minha geração e os filhos da minha geração”, conclui.

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