rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

“A sociedade diz todos os dias como uma mulher negra tem que se comportar”, afirma cantora Tássia Reis, em turnê na Europa

Por Daniella Franco

A cantora e compositora brasileira Tássia Reis está em turnê pela Europa e se apresenta nesta sexta-feira (26) no festival Les Escales, na cidade de Saint-Nazaire, no noroeste da França: o evento que tem como tema esse ano o Brasil e a cidade de São Paulo. Em entrevista à RFI, a rapper fala sobre seu terceiro álbum, “Próspera”, que traz faixas autobiográficas, como “Preta D+”.

Rythm & blues, jazz, rap, trap, samba, afropunk… a música de Tássia Reis transita por diversos estilos e a própria cantora se classifica como “uma mistura”. “Todos esses ritmos e sonoridades fazem parte da minha construção e fica difícil escolher um só para me definir. Eu acredito que sou uma mistura de tudo isso e gosto de definir meu trabalho como ‘o som da Tássia’”, diz.  

Um trabalho que é autobiográfico, baseado nas experiências da artista. Contar a sua vida para o público, aliás, é um dos aspectos favoritos de seu trabalho, revela a rapper.

“Como eu escrevo todas as músicas, o assunto que eu mais gosto de falar é sobre a vida. Faço uma autoanálise dos meus sentimentos e pensamentos. Também sobre como as pessoas reagem e refletem sobre suas próprias vidas”, afirma.

Preta demais

Vocês me disseram que não poderiam me contratar
Porque minha aparência divergia do padrão
(Que padrão?)
Que eu era até legal
Mas meu cabelo era crespo demais,
Talvez alisar seria uma solução

Que eu tinha que me enxergar
Porque toda moça preta demais
Preta demais sabe que o seu destino é limpar chão

“Preta D+”, uma das faixas do novo álbum de Tássia Reis, denuncia o racismo que a cantora vivencia em seu cotidiano de mulher negra no Brasil. O objetivo, segundo ela, é quebrar paradigmas.

“Preta D+ é sobre minha vivência e, especialmente, sobre a sociedade que diz todos os dias sobre como uma mulher negra tem que se comportar, o que ela tem que fazer, o que ela tem que usar. Ou seja, os limites que a sociedade acaba nos impondo”, afirma.

No entanto, Tássia Reis acredita que, com luta e engajamento, a situação pode ser revertida. “É difícil e complicado viver e sobreviver na sociedade atual. Mas há sim possibilidades de existência. E nós, mulheres pretas, não devemos deixar que as pessoas ditem o que a gente tem que fazer”, afirma.

O próprio nome da faixa que dá nome ao álbum da artista, “Próspera”, trata de percursos que Tássia Reis se dispõe a trilhar para evoluir, apesar de todas as dificuldades.

“Sabemos que os caminhos não sempre fáceis e bons, mas são importantes para a nossa construção. Quando eu canto ‘better than ever’, significa que, apesar dos trancos e barrancos que eu tenho vivido, estou melhor do que nunca porque estou no meu melhor momento.”

Terminando sua turnê pela Europa, Tássia Reis volta para o Brasil, onde já tem um show agendando no Cine Joia, em São Paulo, no dia 9 de agosto.

Museu Internacional da Mulher será inaugurado em Portugal com curadora brasileira

Comitiva de indígenas brasileiros na Europa reforça campanha contra acordo UE-Mercosul

Claudia Jaguaribe lança livros de fotografia sobre mulheres e meio ambiente em Paris

“Atualidade política e social do Brasil me inspirou”, diz Flávia Coelho sobre disco DNA

“Leiam escritores brasileiros vivos!”, pede Fred Di Giacomo, finalista do Prêmio SP de Literatura

Mestre da Arte Óptica, Marcos Marin expõe em Paris obras de Neymar e Santos Dumont

Curador expõe fotógrafos brasileiros da nova coleção da Biblioteca Nacional da França em "Terra Brasilis"

Palcos europeus recebem pela primeira vez a música-poesia de Arthur Nogueira

Revelação do violão brasileiro, João Camarero leva sofisticação do choro a plateias europeias

Do interior do Amazonas a digital influencer premiada em Mônaco: a história de Cacau Sitruk

Duo franco-brasileiro lança disco que mistura “Trem das Onze” e Erik Satie

“Meu trabalho é pela pacificação”, diz pintora brasileira que expõe em Paris

Luiza Brunet diz que “toda mulher é feminista”: “apanhar aos 50 foi gota d’água”

Feira de Frankfurt: “Brasil é o país das impossibilidades”, diz Luiz Ruffato

“Se não tomarmos cuidado, fotografo um mundo em extinção”, diz Sebastião Salgado em Frankfurt

Barbara Paz: Documentário premiado em Veneza é seu “filho-filme” com Babenco

Conferência Internacional [SSEX BBOX] em Paris tem Jean Wyllys e Lea T na programação