rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Saúde
rss itunes

A volta da malária? Metade da população do Burundi foi contaminada e doença assusta Venezuela

Por Márcia Bechara

Um novo relatório da ONU informa que a malária já matou mais de 1.800 pessoas no Burundi, apenas em 2019. O país africano, que possui cerca de 11 milhões de habitantes, já registra mais de 5 milhões de infectados. Ou seja, 1 em cada dois habitantes está contaminado por esta doença, causada por parasitas que se propagam a partir da picada do mosquito Anopheles. Novos focos da doença assustam as autoridades sanitárias também na Venzuela, em inúmeras tribos indígenas na fronteira com a Colômbia. Segundo especialistas, no entanto, a ameaça de uma epidemia de malária ainda não chegou ao Brasil.

Na Venezuela devastada pela crise e pela falta de produtos básicos, a malária também chegou com tudo em 2019. Com 3.700 pessoas, o vilarejo de El Tucuco é o maior centro populacional de ameríndios Yukpa. Segundo informações da agência AFP, a malária não apenas tomou de assalto este e outros vilarejos similares, como está de volta em toda a Venezuela, um país que pode reivindicar ter sido o primeiro no mundo a erradicar a doença, em 1961. Um fator agravante do retorno da malária no país é a desnutrição, que enfraquece o corpo, segundo especialistas.

Além da Venezuela, um novo relatório da ONU divulgado na terça-feira (6) revelou que metade da população do Burundi estaria contaminada com malária, apesar do governo não admitir a existência de uma epidemia neste país do leste africano. Em entrevista à RFI, o responsável de um centro de saúde, na província de Cibitoke, que pediu anonimato por razões de segurança, fala de um verdadeiro “desastre” e faz um apelo ao governo.

"Há dois meses, a malária se tornou um verdadeiro flagelo na província de Cibitoke, como pode ser visto nas unidades de saúde. Das 30 pessoas que visitam o nosso centro todos os dias, 26 ou 27 têm malária", relata o profissional de saúde africano. "Se você tiver acesso ao relatório semanal que transmitimos a nossos superiores, verá que pelo menos 94% dos pacientes tratados têm a doença. É seguro dizer que lidamos com um desastre real, porque há muitas crianças ou adultos que já morreram por causa da doença", diz.

O diretor do centro de saúde revelou ainda as condições terríveis a que estão submetidos o staff médico e os pacientes no Burundi. "Temos que colocar dois pacientes na mesma cama e colocar um terceiro no chão, e ainda assim não há lugar para as enfermeiras, porque estamos totalmente sobrecarregados. O governo precisa criar um grande centro para o tratamento de casos de malária, e também deve declarar que se trata de uma epidemia, para que possamos cuidar de todos os pacientes de graça. Hoje, todos pagam 100% nas consultas e medicamentos, menos crianças menores de 5 anos", avalia.

O risco da Venezuela para o Brasil não é a malária, mas o sarampo

Embora a situação na Venezuela seja considerada “catastrófica” pelo infectologista Huniades Urbina, diretor da Academia Nacional de Medicina do país, o infectologista Antonio Carlos Bandeira, da Sociedade Brasileira de Infectologia, e um dos principais especialistas na doença no Brasil, considera que o foco das preocupações é outro, quando se fala de possíveis epidemias vindas da Venezuela.

"Em relação à Venezuela, a malária ainda não é agudamente uma ameaça, digamos assim. Até porque, na verdade, essa região de fronteira com a Venezuela é uma área que também recebe transmissão da doença de dentro do Brasil", contemporiza o especialista. "A crise social, de saúde e institucional na Venezuela piora bastante a situação devido a deficiências no diagnóstico e no próprio tratamento. Isso tem um impacto de mortalidade muito grande no país", diz.

"O que nos preocupa muito mais, em relação à Venezuela, são doenças que a princípio, para nós no Brasil, estavam bastante controladas, como é o caso, por exemplo, do sarampo.O país estava praticamente livre do sarampo, mas com o influxo gigantesco de venezuelanos com sarampo, acabamos tendo processos epidêmicos de disseminação da doença na região Norte do Brasil", analisa.

O que fazer em caso de suspeita de contaminação?

O médico infectologista Chaie Feldman, especialista em malária do setor de Medicina do Viajante do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, referência no Brasil no assunto, explica que medidas devem ser tomadas em caso de suspeita de contaminação pela malária.

"A malária tem cura, com um tratamento que possibilita a cura completa. Tem que procurar o serviço de saúde o mais rápido possível, para um diagnóstico precoce, porque às vezes a doença pode evoluir rapidamente, até para um quadro de óbito", alerta o médico. "É importante não se automedicar, o diagnóstico da malária é fácil de ser feito, é feito com uma lâmina com o sangue do paciente, é só ter alguém que tenha experiência em identificar o parasita. Em questão de meia hora você tem o diagnóstico", afirma.

"Não existe só um tipo de malária, há varios tipos do parasita que provoca a doença, dependendo do tipo de protozoário o tratamento pode ser diferente. Então é importante este tipo de identificação", explica o especialista.

Segundo a OMS, cerca de 219 milhões de casos de malária foram registrados em todo o mundo de acordo com dados do último censo, em 2017, resultando em 435.000 mortes, 93% delas apenas no continente africano.

Cientistas alemães e britânicos criam tatuagem que monitora taxas no sangue

Depois do burn-out: conheça o ikigai, método japonês que ajuda a mudar de carreira

Casal francês cria aplicativo para diabéticos e é premiado na maior feira tecnológica do mundo

Paris oferece teste de HIV gratuito em laboratórios privados, inclusive para estrangeiros

Câncer do pulmão atinge cada vez mais mulheres e a culpa é do cigarro

Pesquisador francês cria teste que prevê recaídas e sobrevida de pacientes com câncer do cólon

Uso prolongado de lâmpadas LED pode danificar retina, aponta relatório

Procura por gastroplastia sem corte cresce na França com aumento da obesidade

Telemedicina: um mercado que deve mudar (para melhor) a vida dos pacientes

Desigualdade social afeta saúde dos franceses mais pobres, mostra pesquisa