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“Somos seres humanos como Bolsonaro”, diz índio brasileiro no Festival de Locarno

Por RFI

Regis Myrupu é o ator principal do filme “A Febre”, de Maya Da-Rin, que participa da competição de longas no Festival Internacional de cinema de Locarno, na Suíça. Índio desano da região amazônica, ele se orgulha de apresentar sua cultura para o mundo e chama a atenção para as ameaças atuais visando os povos indígenas no Brasil.

Rui Martins, correspondente da RFI na Suíça, de Locarno

O filme A Febre, que concorre ao Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, conta a história de duas gerações de índios, representados por um pai e uma filha que vivem em Manaus. Regis Myrupu, que estreia nas telonas, é o protagonista da trama, interpretada no idioma tucano e legendada. “Aceitei porque gosto de coisas novas e positivas”, conta o ator, que também preside uma associação indígena.

O filme é apresentado em um momento em que a comunidade internacional se questiona, cada vez mais, sobre a situação dos nativos brasileiros, ameaçados pelas reformas assinaladas por Brasília. Myrupu aproveitou a presença em Locarno para expressar sua preocupação com o contexto atual.

“Nosso governo está sendo muito cruel com os povos indígenas” resume o protagonista do filme. “Ele acha que matar e eliminar seria a solução para a futura humanidade e sua melhoria de vida. Mas não é assim. Eliminando nossos povos, ele elimina indígenas, não-indígenas, a natureza em geral e o próprio planeta. Não haverá mais o passado, nem o presente, nem o futuro. Precisamos agir logo. Nós somos uma barreira protetora da vida na natureza”, alerta.

Myrupu também contesta a ideia dos que pretendem “civilizar” os índios. “Os indígenas não querem ser domesticados porque não são animais”, rebate. “Eles nasceram no meio da floresta, onde a natureza é completamente limpa e não aceitam ser civilizados. Os indígenas são seres humanos igual a ele”, disse, em referência o presidente Jair Bolsonaro.

(Para ouvir a entrevista completa, clique na foto acima)

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