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Especialista da FAO alerta para contaminação do Aquífero Guarani no Brasil

Por RFI

A exploração e utilização do Sistema Aquífero Guarani (SAG) segue sem uma legislação transnacional que regulamente o acesso às águas subterrâneas compartilhadas por Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) adverte para as consequências desastrosas em caso de contaminação das águas profundas.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

O Aquífero Guarani é considerado um dos maiores reservatórios de água potável do mundo, com um volume aproximado de 40 mil quilômetros cúbicos armazenados, em média, a 250 metros de profundidade. Os locais mais sensíveis à contaminação são os chamados pontos de afloramento nos quais os reservatórios subterrâneos são reabastecidos pelas águas das chuvas.

Marlos de Souza, especialista em qualidade da água da FAO, acumula quase 30 anos de experiência na gestão de recursos hídricos com passagens pelos governos federais do Brasil e Austrália, confirma que os resíduos da produção agropecuária já contaminaram alguns reservatórios de água potável subterrâneos no Brasil.

“No caso dos fertilizantes o que se vê é que o agricultor utiliza mais do que se deveria, num conceito de que utilizando mais fertilizante ele vai aumentar a produtividade por hectare plantado, o que não é verdade. Todos esses componentes acabam ficando no solo e vão passar pelo ciclo hídrico da chuva que infiltra no solo e que vai recarregar o lençol freático e levando resíduos de pesticidas, de fertilizantes da agricultura como já acontece numa série de locais que temos observado”, adverte.

Purificação lenta

Atualmente, a exploração das águas do Aquífero supera 1 quilômetro cúbico ao ano, com o Brasil sendo responsável por 94% deste volume (dos quais 80% somente no Estado de São Paulo), seguido por 2,8% do Uruguai, 2,3% do Paraguai e 1,3% da Argentina.

As principais “bacias” são Misiones, que engloba parte dos territórios de Paraguai e Argentina; Botucatu, Pirambóia, Caturrita e Santa Maria, no Brasil e Tacuarembó, no Uruguai.

Na maior parte desses reservatórios subterrâneos a qualidade da água é excelente, de baixa mineralização e potável para todos os usos. Somente em algumas áreas na Argentina e no sul do Brasil, a água apresenta elevados índices de salinização.

O ritmo do fluxo das águas subterrâneas é diferente daquele na superfície. No caso do Aquífero Guarani, as águas transitam por um intrincado sistema de vários tipos de rochas hidraulicamente conectadas em distintas formações. Uma vez contaminadas, levariam milhares de anos para que fossem purificadas naturalmente.

“O movimento subterrâneo da água em aquíferos geralmente é muito lento. Existem diversos estudos sobre a velocidade em que elas viajam dentro do sistema a partir da qual é possível datar a idade da água. No Aquífero Guarani, por exemplo, encontram-se águas com mais de 120 mil anos. Portanto, qualquer contaminação do lençol freático ou de águas subterrâneas tem um impacto maior porque o tempo de diluição natural dos agentes químicos é muito mais demorado do que nas águas de superfície”, explica Marlos.

Conscientização

No Brasil, a FAO trabalha em parceria com a Embrapa em programas de extensão rural para conscientizar os produtores sobre o uso racional da água. Esses projetos também chegam às cidades, por meio da agricultura periurbana. Para Marlos, é fundamental que os consumidores urbanos também estejam atentos para evitar desperdícios.

“A bandeira da FAO hoje é que a agricultura utilize os recursos hídricos de uma forma mais sustentável, mais eficiente e mais igualitária para que o recurso seja para todos, para que possamos continuar a alimentar a população. Essa nossa visão tem que ser repassada também para as cidades e, se atingirmos este objetivo, o Aquífero Guarani vai estar protegido por mais muitos e muitos anos”, conclui.

Acordo do Aquífero Guarani

Diversos estudos defendem a entrada em vigor o quanto antes do Acordo do Sistema Aquífero Guarani, assinado pelos quatro países em 2010 e ratificado pelo Uruguai e Argentina em 2012, pelo Brasil em 2017 e, no ano passado, pelo Paraguai.

Especialistas afirmam que o Acordo contribuirá para o cumprimento das Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU e do Acordo de Paris sobre as Mudanças Climáticas. O Centro Regional para a Gestão das Águas Subterrâneas (Ceregas), com sede em Montevidéu, já elaborou um inteiro plano de proteção ambiental e desenvolvimento para o Aquífero que pode ser consultado neste link.

Enquanto a lacuna intergovernamental persiste, Marlos defende que os países devem apressar-se para garantir o gerenciamento sustentável do Aquífero, sobretudo dos pontos de afloramento.

“O mais importante é que os quatro países identifiquem as áreas de contato do Aquífero com a superfície e que seja elaborado um plano de gerenciamento e proteção dessas zonas. Não só de possível contaminação pelo processo agropecuário, mas por qualquer atividade antropogênica que possa ter impacto na qualidade da água”, conclui.

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