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Sem mudança ambiental “radical”, perspectiva é “muito pessimista” para o agronegócio do Brasil

Por Lúcia Müzell

Não é só a floresta que está ameaçada pelas queimadas na Amazônia: a comoção mundial gerada pelo tema assusta o agronegócio brasileiro, o principal motor da economia do país. Crise diplomática com a França e o Brasil, riscos para o acordo comercial entre o Mercosul e União Europeia e campanhas pelo boicote aos produtos agrícolas brasileiros são alguns dos efeitos que podem atingir o setor, já a curto prazo.

Na opinião do consultor Jean-Yves Carfantan, fundador da AgroBrasConsult, em São Paulo, apenas uma “mudança radical” da política ambiental do atual governo poderá reverter os danos. O enxugamento dos recursos humanos e financeiros dos órgãos de fiscalização, afirma, abala a imagem de toda uma parcela da agricultura brasileira, que se esforça para vender ao mundo a ideia de que está atenta para práticas mais sustentáveis de produção.

“O maior município do Brasil, Altamira (PA), tem só três fiscais do Ibama. É completamente insignificante”, ressalta o franco-brasileiro, instalado há cerca de 40 anos na capital paulista. “Se não tiver uma reversão radical dessa situação, a minha percepção é muito pessimista. O agronegócio brasileiro será a primeira vítima, porque vai sofrer boicotes comerciais e, a médio-longo prazo, vai ter que reduzir a produção porque a destruição da floresta amazônica e outros biomas altera completamente o ciclo das chuvas, o que vai levar à diminuição da produtividade das lavouras.”

Mercado chinês se preocupa cada vez mais com questões ambientais

Carfantan destaca que, atualmente, o agronegócio brasileiro mais presente nos mercados internacionais “começa a assimilar que a questão ambiental é estratégica”. Nesse contexto, as ameaças sobre a ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, levantadas pelo presidente francês, Emmanuel Macron, são apenas uma amostra do que pode estar por vir, avalia o consultor. A maior preocupação vem da China, onde a atenção aos parâmetros ambientais é crescente.

“A China representa 60% da produção brasileira de soja [usada para alimentação de rebanhos]. Pesquisas mostram que metade dos consumidores chineses de carne, que têm poder aquisitivo e são formadores de opinião, estão preocupados com as condições de produção dessa carne e a problemas como o desmatamento e preservação do meio ambiente”, explica o economista. “Se amanhã o mercado chinês criar dificuldades, o impacto sobre as cadeias produtivas no Brasil será muito maior do que qualquer decisão da França ou da Irlanda”, constata o autor de “Brésil, les illusions perdues: du naufrage au redressement” (Brasil, as ilusões perdidas: do naufrágio à recuperação”, em tradução livre).

Apesar das incertezas quanto ao futuro do acordo UE-Mercosul, Carfantan avalia que dificilmente a França conseguirá se impor diante da Alemanha, que está ansiosa para ampliar as exportações de produtos industrializados para os latino-americanos, como químicos, máquinas, têxteis e automóveis. “A pressão alemã vai ser muito forte. Eu duvido que a Alemanha abrirá mão do acordo apenas porque a França e o Brasil passaram por essa crise. Vai ser um processo que vai demorar, mas no fim das contas, o que vai prevalecer é o interesse econômico de ambos os lados”, sublinha.

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