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Brasileiro Davi Kopenawa e associação Yanomami Hutukara vencem prêmio Nobel alternativo

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O líder indígena yanomami, Davi Kopenawa, é um dos ganhadores do prêmio Nobel alternativo, anunciado nesta quarta-feira 25 de setembro de 2019. © Survival

O líder indígena brasileiro Davi Kopenawa e a associação Yanomami, da qual ele o porta-voz, são uns dos vencedores do prêmio “Right Livelihood”, anunciado nesta quarta-feira (25) na Suécia. O “Nobel alternativo” também premiou neste ano a jovem sueca Greta Thunberg, a ativista saharaui dos direitos humanos, Aminatou Haidar, e a advogada chinesa Guo Jianmeic.


A associação Yanomami Hutukara e Davi Kopenawa receberam o prêmio pela "luta firme e determinada para proteger as florestas e a biodiversidade da Amazônia, assim como as terras e a cultura de seus povos autóctones", informou a fundação sueca Right Livelihood que patrocina o Nobel alternativo.

A ONG Survival International, que sempre apoiou o combate de Kopenawa e o convidou pela primeira vez a vir à Europa em 1989, comemorou a escolha. O comunicado da organização lembra que o líder indígena luta pela preservação de território Yanomami na Amazônia há 20 anos e é chamado de “o dalaï-lama da floresta”.

O diretor da Survival, Stephen Corry, declarou que “Davi é único e continua insensível às suspostas vantagens do mundo industrializado. Ele é de longe a voz indígena mais coerente e eficaz para defender a Amazônia. O prêmio é merecido”.

Kopenawa agradeceu a homenagem. Ele disse nesta quarta-feira que o prêmio “Right Livelihood “chega em boa hora. Eles confiam em mim, na Hutukara e nos que defendem a floresta e o planeta. Isso me dá força para continuar a lutar pela defesa da alma da Amazônia”.

Greta Thumberg

Os Yanomami vão dividir o prêmio com a jovem Greta Thunberg, de 16 anos. Ela foi escolhida por "ter inspirado e encarnado as reivindicações políticas a favor de uma ação climática urgente de acordo com os dados científicos". "Sua compreensão da crise climática baseada na ciência e a falta de respostas da sociedade e dos políticos a este tema levaram a jovem ativista a dedicar-se à causa e a reclamar atos contra a mudança climática. Ela personifica a ideia de que todos podem modificar o curso das coisas", escreveu a fundação em um comunicado.

O movimento da adolescente contra a mudança climática, "Fridays For Future" ("Sextas-feiras pelo Futuro") começou há um ano, em 20 de agosto de 2018, quando ela fez, sozinha diante do Parlamento sueco, sua primeira "greve escolar pelo clima". Desde então o movimento ganhou força, da Suécia à Austrália, passando pela Europa e Estados Unidos, graças em parte a jovens ativistas como Greta.

Na sexta-feira passada (20), mais de quatro milhões de pessoas, de acordo com os organizadores, saíram às ruas em 160 países para uma "greve mundial pelo clima" e para exigir que os governantes adotem ações contra a catástrofe climática prevista pelos cientistas. Na sequência, jovens de todo o mundo foram recebidos na ONU para uma inédita cúpula da juventude para o clima.

Autodeterminação do Saara e defesa de mulheres chinesas

O prêmio Right Livelihood também foi concedido este ano à ativista saharaui dos direitos humanos Aminatou Haidar por seu combate pela autodeterminação do Saara Ocidental, assim como à advogada chinesa especializada no direito das mulheres Guo Jianmeic.

Cada premiado recebe um milhão coroas suecas (US$ 103.000). O prêmio Right Livelihood foi criado em 1980 por Jakob von Uexkull, que foi eurodeputado pelo Partido Verde, após a recusa da Fundação Nobel a criar um prêmio para o meio ambiente e o desenvolvimento. Por este motivo, a fundação que concede prêmio o considera o "Nobel alternativo".