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"Jacques Chirac vai ser lembrado como um bon vivant", diz escritor Gilles Lapouge

Por RFI

Correpondente do jornal O Estado de São Paulo em Paris há mais de 50 anos, o escritor e jornalista Gilles Lapouge acompanhou toda a carreira politica do conservador Jacques Chirac, desde sua primeira eleição com deputado, em 1967, até seus dois mandatos presidenciais, de 1995 a 2007. Hoje com 96 anos, Lapouge relembra a vida e a obra do ex-presidente morto nesta quinta-feira (26).
 

A saúde de Chirac começou a se debilitar em 2005, após um acidente vascular cerebral ocorrido quando ele ainda estava na presidência. Enfraquecido, o ex-presidente abandonou a vida pública em 2014, mas permanece uma das personalidades politicas preferidas dos franceses. Gilles Lapouge lembra que, como outros politicos, a popularidade veio depois do mandato. 

"A gente ama muito mais os presidentes depois do exercício do poder do que quando eles estão no cargo".  "Por exemplo, hoje o mundo inteiro admira o general De Gaulle, todos os franceses, mas enquanto ele estava no poder ele não era tão amado assim", completa.

Chirac era gaulista, isto é, adepto do ex-presidente Charles de Gaulle. Foi primeiro ministro de François Mitterrand, a quem sucedeu na presidência, e passou o poder ao ex-aliado Nicolas Sarkozy. 

Segundo Lapouge, Jacques Chirac vai ser lembrado como um "bon vivant".
"O que fica é o personagem dele, mais do que as idéias políticas. Era um homem bonito, alto, forte, que gostava de comer e beber bem, que amava as mulheres. Ele também era muito fraternal, simpático com todos. E isso as pessoas admiram," afirma. 

"Os franceses o conheciam há tanto tempo, durante décadas na vida pública, que ele se tornou um amigo da família", compara.

Assim como muitos franceses, a admiração de Lapouge pelo ex-presidente não foi imediata. "Eu não gostava do Chirac quando ele começou a carreira, pois eu era de esquerda e ele de direita. Mas aos poucos eu dei alguns passos em direção do centro e no final estávamos na mesma linha".

Não à guerra do Iraque

Jacques Chirac era um homem de posições internacionais firmes e marcou a história ao dizer não à Guerra no Iraque, em 2003, contrariando lideranças da época.

"O momento mais importante na carreira de Chirac foi quando ele deixou de fazer a guerra contra o Iraque, depois da estupidez do Bush", diz o jornalista. "Hoje todo mundo sabe que foi uma tolice fazer aquela guerra, mas no momento essa era uma decisão muito difícil a ser tomada pelo Chirac, contra toda a comunidade mundial, mas também contra grande parte da comunidade francesa. Então ele teve muita coragem", completa.

Relações internacionais

Gilles Lapouge ainda lembra que Chirac era um apaixonado pela Ásia. E que gostava de disfarçar sua cultura.

"Durante muito tempo ele dizia que era um homem pouco culto, afirmava que a vida era mais importante que a cultura. Mas isso foi uma grande mentira, pois ele era muito culto. E sua especialidade era a cultura do Japão", diz. 

O ex-presidente Jacques Chirac também foi um amigo do Brasil, país que visitou duas vezes: em 199 e 2006. Ele apoiava francamente a candidatura brasileira a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. 

"Eu vou guardar a lembrança de um cavalheiro brilhante, corajoso e sobretudo livre", conclui o jornalista.

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