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Luiza Brunet diz que “toda mulher é feminista”: “apanhar aos 50 foi gota d’água”

Por Lúcia Müzell

Das passarelas para o microfone, para ajudar as mulheres a combater a violência doméstica. Desde que foi vítima de uma agressão física por um ex-namorado, em 2016, a modelo e atriz Luiza Brunet se engajou para dar voz às mulheres que enfrentam o problema e, muitas vezes, não sabem como dar o primeiro passo para se livrar de um relacionamento abusivo ou violento.

A convite do grupo Mulheres do Brasil, que atua no país e no exterior, Brunet foi a Paris participar do evento “Cada Voz Conta” e visitou os estúdios da RFI. À pergunta sobre se considerar uma feminista, a eterna musa do carnaval carioca não pestanejou: “Sem dúvida! Desde sempre. Acho que toda mulher é feminista”, afirmou. “Feminismo é ser humanista, é se preocupar com o próximo.”

Recentemente, ela se tornou embaixadora do Programa Salve uma Mulher, promovido pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Apesar da proximidade com o atual governo, não cogita se envolver mais com a política. “Eu sou apolítica. A minha causa é pelas mulheres do Brasil e do mundo, onde houver mulheres para quem eu possa falar. Essa já é uma política boa para mim: ser ativista dos direitos da mulher”, explica Luiza.

Prestar queixa imediatamente

Nas palestras, a modelo leva um depoimento pessoal sobre a violência. Há três anos, durante uma viagem a Nova York com o empresário Lírio Parisotto, levou um soco no olho durante uma briga em um hotel e ainda teve quatro costelas quebradas. Ao voltar para o Brasil, prestou queixa e expôs o caso nas redes sociais.

“O meu caso teve uma visibilidade enorme na mídia, e isso colocou o assunto em pauta, fazendo com que as mulheres tomassem consciência de que acontece em todas as classes”, relembra. “Apanhar de um homem quase aos 50 anos de idade foi a gota d’água para que eu pudesse tomar uma atitude. Me tornei uma mulher agredida como centenas de outras mulheres no Brasil”, diz Luiza.

O percurso não foi fácil – ao mesmo tempo em que recebeu apoio, a modelo relata que também foi alvo de uma avalanche de críticas, tanto de homens quanto de outras mulheres. “Foi impressionante. Me desqualificaram como mulher, me chamaram de mentirosa, golpista. Mas isso me impulsionou mais ainda para me tornar uma ativista, para alertar as outras mulheres”, ressalta.

Para a plateia de brasileiras que vivem no exterior, Luiza aconselha que, em caso de agressão, a queixa seja registrada no próprio país – um reflexo que, na época, ela não teve e se arrepende. “É tão vergonhoso e doloroso que você não pensa em nada; eu só queria voltar para o Brasil”, conta.

Violência desde a infância

Não foi a primeira vez que a modelo conviveu com a violência contra a mulher. A mãe dela era agredida pelo pai, diante dos filhos. Na adolescência, ao começar a trabalhar como empregada doméstica no subúrbio do Rio de Janeiro, Luiza sofreu violência sexual e, mais adiante, “teve problemas durante a carreira de modelo”. “Isso foi me levando a ter consciência do quanto a mulher sofre por ser mulher”, constata, lembrando que, em um relacionamento, a agressão física é a etapa que precede o feminícidio.

Nas conferências que têm dado sobre o tema, a modelo busca atrair a atenção dos homens – e constata que muitos saem dos eventos se questionando sobre seus próprios hábitos. “Eles dizem que não sabiam que faziam violência contra a mulher quando a empurravam, quando eram grossos ou usavam palavra de baixo calão. Tem um movimento de conscientização dos homens que é maravilhoso”, indica Luiza. “Todo o agressor pode ser recuperado se ele fizer parte de um trabalho. É como um Alcoólicos Anônimos.”

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