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Cientistas anunciam descoberta de primeiros “ecos” do Big Bang

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Gráfico demonstra a expansão do universo, onde o espaço é representado em cada momento, em seções circulares.

Cientistas americanos disseram nesta segunda-feira (17) ter detectado, pela primeira vez, ondas gravitacionais que seriam ecos do Big Bang, ocorrido há 14 bilhões de anos. A importante descoberta vai ajudar a entender melhor as origens do universo.


A “primeira evidência direta da expansão cósmica” foi observada através de um telescópio no polo sul e foi anunciada por especialistas do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian. A existência das ondas de espaço-tempo, primeiro eco do Big Bang, demonstra a expansão extremamente rápida do universo na primeira fração de segundo de sua existência, uma fase chamada de inflação cósmica. O fenômeno era descrito na teoria da relatividade de Albert Einstein.

A descoberta é resultado de observações do fundo cosmológico difuso, um fraco raio de luz deixado pelo Big Bang. Minúsculas flutuações fornecem indícios sobre os primeiros instantes do universo, e mínimas diferenças de temperaturas no céu revelam onde o cosmo era mais denso e onde se formaram as galáxias, de acordo com os cientistas. O estudo foi possível graças ao telescópio BICEP2, na Antarctica.

Os dados, de acordo com os pesquisadores, “confirmam a relação profunda entre a mecânica quântica e a teoria geral da relatividade”. A física quântica descreve fenômenos atômicos que a relatividade não consegue explicar.

“Nova luz sobre questões fundamentais”

“A detecção desse sinal é um dos objetivos mais importantes na cosmologia atual e resulta de um enorme trabalho, feito por um grande número de pesquisadores”, observou John Kovac, professor de astronomia e física no Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, um dos coordenadores da equipe de pesquisas BICEP2, responsável pelo estudo.

“Foi como procurar uma agulha em um palheiro mas, no lugar, nós descobrimos um tesouro”, comentou o físico Clem Pryke, da Universidade de Minnesota, o segundo coordenador da pesquisa.

Na opinião do físico teórico Avi Loeb, também de Harvard, a descoberta “traz uma nova luz sobre algumas das questões mais fundamentais, como por que nós existimos e como o universo começou”. “Não somente esses resultados são a prova irrefutável da inflação cósmica como nos informam sobre o momento dessa expansão rápida do universo, e do poder desse fenômeno”, explicou.