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Palmilha eletrônica pode evitar amputações em diabéticos

Por Adriana Moysés

Na era dos objetos conectados, pesquisadores da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, em colaboração com os Hospitais Universitários de Genebra, desenvolveram uma palmilha equipada com sensores eletrônicos que ajustam a pressão nos pés dos diabéticos ao ritmo da caminhada.

Os testes realizados com protótipos revelaram que o uso dessa palmilha diminui a incidência de ulcerações nos pés de diabéticos e também de portadores de lepra, protegendo esses pacientes de amputações.

Infecções ou problemas na circulação nos membros inferiores estão entre as complicações mais comuns em quem tem diabetes mal controlado. Quando as taxas de glicose no sangue permanecem altas durante muitos anos, alterações metabólicas podem provocar perda de sensibilidade − a chamada neuropatia diabética −, a proliferação de feridas e infecções. A pessoa desenvolve o chamado pé diabético. Em casos extremos, não há outra saída para salvar os doentes a não ser a amputação.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil realiza 55 mil amputações anuais relacionadas com o diabetes. No mundo, a cada 30 segundos é realizada uma amputação provocada por essa doença crônica.

Palmilha tem sensores e válvulas amortecedoras

O médico Zoltan Pataky, iniciador do projeto nos Hospitais Universitários de Genebra, explica que teve essa ideia por considerar que a pressão nos pés dos diabéticos é a razão principal que leva às amputações. A palmilha eletrônica que sua equipe desenvolveu é equipada com sensores que medem em permanência a pressão plantar. De acordo com o valor aferido num determinado ponto do pé, válvulas amortecedoras entram em ação, calibrando a pressão. O mecanismo suaviza o atrito, reduz a pressão plantar e o surgimento do machucado. O principal objetivo dessa palmilha, de acordo com o médico, "é atenuar a pressão onde ela é muito intensa".

Preocupação com estética prejidica diabéticos

Em São Paulo, a clínica de reabilitação Marian Weiss, trabalha há mais de 30 anos com pacientes amputados e portadores de diabetes necessitados de próteses e as chamadas órteses − palmilhas e calçados adequados para o pé diabético. O administrador da clínica, Ian Guedes, considera que o maior desafio para evitar as amputações é levar o paciente a se dar conta de que tem um pé diabético.

Tanto no Brasil como na Europa, os diabéticos com pés machucados dispõem atualmente, para aliviar as feridas, de botas de gesso, palmilhas e sapatos ortopédicos feitos sob medida. Porém, esses produtos, além de caros, acabam sendo pouco utilizados. Alguns por dificultar a locomoção; outros por razões estéticas.

A palmilha eletrônica, que pode se adaptar a diversos tipos de calçados, pode diminuir essa rejeição. Atualmente, os pesquisadores suíços buscam parceiros industriais para produzir as palmilhas "inteligentes" em escala comercial e a um custo acessível. Além de diabéticos, elas também podem ser úteis para pacientes que sofrem de lepra, principalmente nos países em desenvolvimento. Pelo interesse despertado, o doutor Pataky acredita que em dois ou três anos, no máximo, as palmilhas inteligentes para diabéticos estarão disponíveis no mercado mundial.
 

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