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Índia Transgênero cirurgia

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Índia é novo destino para operações de mudança de sexo

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Cresce o número de cirurgias de redefinição de sexo na Índia. Meutia Chaerani - Indradi Soemardjan/wikimedia

Depois de uma longa luta contra a depressão, Betty Ann Archer, um ex-soldado, decidiu viajar para Nova Délhi para trocar de sexo, como fazem muitos estrangeiros atraídos pelos preços praticados na Índia para este tipo de cirurgia.


Esta norte-americana de 64 anos se chamava antes Dale Archer. Ela sempre se sentiu prisioneira de um corpo com o qual não se identificava e, durante a infância, usava em segredo os vestidos da mãe, para grande desgosto do pai, que era militar.

"Tentei o suicídio duas vezes, não me amava. Meu corpo não me agradava em nada. Não podia ser eu mesma", conta Archer, natural do Arizona. "Em 2011, fiquei muito doente e quase morri", continua, vestindo um sari azul e adornada por joias que comprou depois da cirurgia em Nova Délhi. "Quando estava convalescente, cheguei à conclusão de que tinha que mudar ou morrer".

Apesar de ser conservadora, cirurgias desse tipo são mais baratas na Índia

Um número reduzido - embora em constante ascensão - de pessoas transgênero vão à Índia fazer a cirurgia de redefinição de sexo porque a operação nesse país conservador é muito mais barata, afirmam especialistas. Curiosamente, preferem a Índia, pouco tolerante, à Tailândia, o destino preferido para esse tipo de operação e considerado mais aberto.

Em novembro, Archer deu entrada no Olmec Centre, uma clínica do norte de Nova Délhi. O preço era inferior ao de estabelecimentos tailandeses, "caros demais".

"Aqui, o preço é acessível. É uma opção para algumas pessoas transgênero", afirma Archer, que pagou US$ 6 mil, ou seja, o quinto do que teria pago nos Estados Unidos.

Pacotes incluem tratamento e passeios

Por um montante de no máximo US$ 22 mil, a clínica Olmec fornece tratamento, alojamento, translado do aeroporto e acompanhamento pós-operatório - que inclui passeios para compras e visitas turísticas, como o Taj Mahal.

O fundador da Olmec, o cirurgião estético Narendra Kaushik, diz operar cerca de 200 pessoas por ano, sobretudo indianos. Mas cada vez chegam mais estrangeiros a seu consultório, vindos de países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, em busca de melhor custo, mas também pessoas de países emergentes, que querem mais qualidade nos cuidados médicos.

A cada ano, Kaushik opera cerca de 20 estrangeiros – que antes eram entre cinco e dez. "A comunidade [transgênero] está muito conectada. Se ficam contentes com os serviços na Índia, fazem a notícia correr", explica o médico.

Setor movimenta US$ 3 bilhões por ano

O governo indiano promove o turismo médico, concedendo vistos específicos com validade de um ano. O setor, que movimenta US$ 3 bilhões por ano, prevê dobrar essa cifra antes de 2020.

Mais de 250 mil pacientes estrangeiros vão anualmente à Índia, segundo a consultoria norte-americana Patients Beyond Borders. A cifra ainda é modesta se comparada com a Tailândia, que atrai anualmente dois milhões de estrangeiros, mas o diretor da empresa, Josef Woodman, estima que a Índia atrairá sobretudo os interessados em cirurgias transgênero.

Esse crescimento surpreende em um país onde milhões de transexuais sofrem discriminações. São chamados de "hijras" e costumam viver à margem da sociedade, de esmolas ou de prostituição.

Cirurgiões indianos desenvolveram técnicas próprias

Rosy Mica Kellett, um violinista britânico aposentado, decidiu viajar para a Índia para virar mulher por recomendação de seu cirurgião. Pagou £14 mil, a metade do que desembolsaria no Reino Unido. "O que me contaram sobre a Tailândia não parecia tão bom", diz Rosy, que antes se chamava Michael. "Queria o melhor e consegui".

Os cirurgiões indianos desenvolvem suas próprias técnicas de cirurgia, em particular para a operação de mulher para homem, mais complexa, explicam os especialistas.

Pensando no futuro, Shobha Mishra Ghosh, diretor da federação patronal FICCI, espera que se crie "um ecossistema completo" com a concessão rápida de vistos, postos de informação nos aeroportos e mais intérpretes para consolidar o crescimento do setor.