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Saiba como diminuir a poluição gerada pela pizza e o churrasco

Por Lúcia Müzell

Pizza de verdade é a de forno à lenha, e os fãs de uma boa carne não dispensam um churrasco - feito na brasa, é claro. Na hora de atender aos desejos do paladar, poucos se perguntam sobre os impactos desses dois pratos para o planeta. E quando são paixões nacionais, como esses dois exemplos, o “pecado” chega a ser cometido várias vezes por semana, ao ponto de contribuir para a poluição das grandes cidades.

Um estudo publicado na revista científica Atmospheric Environment cita a combustão de madeira pelas pizzarias e churrascarias paulistanas como uma das fontes de agravamento da poluição. São Paulo é conhecida pelo apego ao famoso prato italiano. A produção diária é estimada em quase 1 milhão de pizzas, o que gera uma combustão constante de biomassa na cidade e amplia a emissão de gases de efeito estufa e micropartículas.

O estudo, feito por especialistas de sete universidades, foi coordenado pelo pesquisador Prashant Kumar, da universidade britânica de Surrey. A pesquisa explica que mais de 7,5 hectares de floresta de eucalipto são queimados por mês pelas pizzarias e churrascarias de São Paulo, o que chega a um total de 307 toneladas de madeira incinerada por ano nos restaurantes, em forma de carvão vegetal.

Uma das autoras do estudo, Adalgiza Fornaro, ressalta que os dados servem de alerta: hoje, a situação não chega a ser preocupante. A pesquisadora do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) avalia que o monitoramento das emissões é importante para evitar uma piora do quadro.

“É importante manter o sistema das chaminés limpo, ficar atento para ver se elas estão funcionando direito. Da nossa parte e do governo, devemos continuar o monitoramento da qualidade do ar, como temos feito nos últimos anos”, diz a pesquisadora. “Pedir mais medidas agora seria adiantar um problema que ainda não está acontecendo. Acho que a gente precisa prestar atenção, monitorar, estudar um pouco mais para ver se chegará o dia em que diremos: ‘Agora temos um problema’”, indica.

Problemas na Itália, na China e no Chile

Não é a primeira vez que pizzarias e churrascarias são apontadas como vilãs da gastronomia. No ano passado, a cidade italiana de San Vitaliano proibiu temporariamente o uso do forno a lenha devido a um pico de poluição e impôs a instalação de filtros nas chaminés dos restaurantes. A China, que tem algumas das cidades com o ar mais poluído do mundo, já cogitou proibir o churrasco para amenizar o problema e, na semana passada, foi a vez de o governo do Chile apontar a carne na brasa como a responsável por uma nova disparada dos índices de emissões de CO2 na capital, Santiago.

A contribuição dos fornos e churrasqueiras na piora da qualidade do ar chega a no máximo 3% em São Paulo, em condições atmosféricas específicas, principalmente nos dias frios. O índice é ínfimo, na comparação com as emissões geradas pelos mais de 7 milhões de veículos que circulam na cidade e na região metropolitana. Adalgiza faz questão de destacar que os carros e ônibus são, de longe, a maior causa da poluição, ao lado das indústrias.

“O grande problema em São Paulo é tirar os veículos da rua. A gente não pode perder isso de vista. Quando às emissões de gases, os veículos causam mais de 90% e, para o material particulado, é entre 50 e 60%”, sublinha. “Quando observamos as pizzarias e churrascarias, vemos que é muito pouco, mas é um potencial que existe. Mas dizer que as pizzarias e churrascarias são as causadoras da poluição em São Paulo não é verdadeiro.”

Dicas para um “fogo ecológico”

Por enquanto, os especialistas indicam que ninguém precisa deixar de comer os pratos preferidos por causa da poluição. Mas para limitar os efeitos nocivos da combustão, vale observar alguns cuidados, como evitar o uso de acendedores químicos da chama, impregnados de compostos tóxicos que se dispersam no ar e são prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Na França, sites de churrasqueiros ecologistas recomendam o uso de gravetos encontrados na rua para fazer o fogo. Da mesma forma, em vez do carvão industrializado, é recomendada a preferência por galhos que despencaram das árvores. A produção de um quilo de carvão demanda cinco vezes mais de madeira.

Para quem for capaz de abrir mão da brasa, as churrasqueiras elétricas são ideais. Na Europa, já existem até modelos a energia solar. Além do planeta, a saúde também agradece: o cozimento de proteínas diretamente no fogo a lenha, a altas temperaturas, gera moléculas com potencial cancerígeno comprovado.
 

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