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Estudo revela dilema entre vidas humanas nos carros autônomos

Por Augusto Pinheiro

Um carro autônomo, que dispensa um motorista, deve colocar em primeiro lugar a vida dos passageiros ou dos pedestres em caso de um acidente inevitável?

Esse dilema foi o ponto de partida de um estudo recente publicado na revista norte-americana Science, que consistiu na aplicação de seis questionários online sobre o assunto a moradores dos Estados Unidos. A maioria das pessoas respondeu que apenas usaria um carro que privilegiasse a vida dos passageiros

A pesquisa foi realizada em conjunto por psicólogos e cientistas da computação da Escola de Economia de Toulouse, na França, e da Universidade de Oregon e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ambos nos Estados Unidos.

Para a advogada brasileira Andréa Martinesco, pesquisadora de veículos autônomos no Instituto Vedecom, em Paris, a questão é complexa. “É um dilema filosófico, e um dilema filosófico não tem fim, pode ser adaptado cada vez a uma questão diferente. Você não pode, no direito penal, aqui na França nem no Brasil nem na Alemanha, por exemplo, fazer uma distinção quantitativa , ou seja, cinco vidas contra duas, nem qualitativo, como a vida de cinco condenados à prisão contra a vida de cinco trabalhadores."

Ponto de vista legal

Andrea, que é servidora licenciada do Ministério Público do Paraná e realiza um doutorado em direito no instituto francês, analisa como a questão deve resolvida do ponto de vista legal.

"Na hora de desenvolver os algoritmos, que vão ser embarcados nesse veículo, isso tem que ser discutido em nível de legislação. E quem faz a legislação são os nossos eleitos. Uma vez que seja tomada a decisão, o direito penal não vai poder olhar se deveria ter virado à esquerda e matado só duas em vez de cinco."

Porém, nos questionários, as pessoas se mostravam geralmente relutantes em aceitar uma legislação do governo sobre algoritmos de inteligência artificial, mesmo se isso significasse uma maneira de solucionar o dilema. O estudo apresentou ainda diferentes cenários, variando o número de pedestres que poderiam ser salvos e acrescentando pessoas da família às situações de risco.

Máquina toma a decisão

Para Andrea, essa é uma discussão fundamental para o futuro dos carros autônomos. "Ela vai determinar os algoritmos, as decisões que já vão estar dentro da máquina, embarcadas. A diferença entre eu e a máquina é que eu tomo minhas decisões como condutora por reflexo. A máquina vai obedecer o sistema, com dados que vão ser analisados em tempo reduzido, e o carro vai tomar uma única decisão, e essa decisão tem que estar assegurada."

Os carros autônomos voltaram às manchetes com o anúncio da fabricante Tesla de que um motorista morreu em um acidente em um carro semiautônomo, que necessita a presença de um condutor para tomar o controle do veículo em caso de necessidade. E também pela intenção de se realizar uma consulta pública no Reino Unido para regulamentar o seguro e outras regras para os carros autônomos. "

As vantagens desse tipo de carro são a segurança, pois a maioria dos acidentes são provocados por motoristas; a preocupação com o meio ambiente, pois eles são elétricos; e a inclusão de pessoas deficientes ou muito idosas", diz Andrea.

Atualmente os carros 100% autônomos continuam a ser aprimorados por empresas e institutos de tecnologia e não são comercializados em nenhum país.

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