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Cérebro de grávidas "diminui" para se adaptar à maternidade

Por Daniella Franco

Um estudo realizado pela Universidade Autônoma de Barcelona, em parceria com a Leiden University, na Holanda, mostrou, pela primeira vez, que os cérebros das mulheres sofrem mudanças durante a gravidez. O objetivo é ajudar as mães a criar laços com o bebê e se preparar para a grande aventura da maternidade. Os cientistas já sabiam que a gestação provocava importantes mudanças hormonais que alteravam o cérebro das mulheres, mas sem esclarecimentos sobre a finalidade dessas modificações.

Através da análise de ressonâncias magnéticas, os pesquisadores observaram a reação do cérebro das gestantes, antes e depois do parto. O mesmo foi feito com um grupo de voluntárias que não estavam grávidas, além de seus parceiros e maridos das mulheres que participaram do experimento. Nesses diferentes grupos, os cientistas observaram a reação dos cérebros diante de fotos de bebês escolhidos aleatoriamente, em diferentes situações. Nas mulheres grávidas, depois do parto, os pesquisadores também analisaram a reação de seus cérebros diante de imagens de seus próprios filhos.

O coordenador da pesquisa, o neurocientista Oscar Vilarroya, contou à RFI quais foram os resultados desta análise. "Detectamos modificações muito importantes apenas nos cérebros das mulheres grávidas. Além disso, essas mudanças foram sistematicamente iguais em todas as grávidas e em uma área cerebral relacionada à cognição social, ou seja, onde reunimos nossas capacidades para saber o que pensam e sentem outras pessoas.”

Perda de massa cinzenta

Vilarroya destaca que as ressonâncias magnéticas também revelaram uma perda de massa cinzenta nas áreas do cérebro que se ativavam quando a mãe observava fotos de seu próprio bebê. "Por isso, acreditamos que este fenômeno está relacionado com uma preparação para a maternidade. O interessante foi observar que, quanto melhor a relação da mãe com o filho, maior foi a perda de massa cinzenta."

O cientista enfatiza, entretanto, que essa diminuição da massa cerebral não é um aspecto negativo. "Observamos esse fenômeno também durante a adolescência. Os adolescentes perdem massa cinzenta ao se desenvolverem, embora suas capacidades cognitivas sejam melhores no final da adolescência. O que acontece com as mulheres grávidas é um fenômeno similar, é uma espécie de limpeza das conexões que não são mais necessárias e não uma perda das capacidades de concentração e de memorização", reitera.

Segundo ele, o cérebro se adapta às prioridades das gestantes. "Essas mudanças representam benefícios para as mães, como a capacidade de entender melhor os bebês, detectar e solucionar os problemas por quais eles passam." Além disso, essas alterações não são permanentes: cerca de dois anos após a gravidez, as mudanças são revertidas.

Mudanças cerebrais são provocadas por hormônios

O ginecologista e obstetra Eduardo Cordioli lembra que todos os órgãos da mulher sofrem alterações durante a gestação. Apenas no cérebro, o especialista destaca diversas alterações. "A progesterona, por exemplo, facilita o sono das gestantes, mas a qualidade do sono diminui, o que pode justificar a distração e o enfraquecimento da memória, relatado por muitas grávidas."

Também devido às modificações hormonais, há a alteração do eixo hipotálamo-hipófise do cérebro, que diminui a resposta ao estresse, diz Cordioli. "Isso serve, por exemplo, para que as mães consigam aguentar noites em claro quando o bebê nascer sem que haja um estresse muito grande", completa.

Por fim, lembra o especialista, o hipotálamo também aumenta a produção da ocitocina, o "hormônio do amor". "Esse fenômeno faz com que as mulheres aceitem seu filho de forma mais fácil".

Segundo os especialistas, todas essas mudanças físicas, hormonais, emocionais e comportamentais são vividas de formas diferentes pelas gestantes. A enfermeira Mariana Silva sentiu essas modificações desde o início da gestação de Matteo, que vai nascer em alguns dias.

"Cada trimestre é uma mudança diferente. O primeiro, por exemplo, é uma mistura de medo com ansiedade. Depois, a cada semana, nossos sentimentos vão se intensificando. Se ficamos felizes, estamos extremamente felizes. Se ficamos tristes, é uma tristeza muito forte. E depois chega a lentidão do racicínio, a perda da memória... Mas é tudo muito gostoso, na medida em que aprendemos a lidar com essas transformações", relata.

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