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Escola de samba Imperatriz leva malefícios dos agrotóxicos e desmatamento para a avenida

Por Augusto Pinheiro

O samba-enredo deste ano da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense já provoca polêmica antes mesmo do desfile. A agremiação faz uma homenagem às tribos do Xingu, no Mato Grosso, e condena práticas que, segundo os carnavalescos, agridem essa população e suas terras, como o desmatamento ilegal e o uso de agrotóxicos.

A questão provocou uma chuva de notas de repúdio de associações de agronegócio de todo o país e um contra-ataque das entidades que defendem o meio ambiente e os índios.

Para Alan Tygel, coordenador da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, a iniciativa da Imperatriz permite que o tema alcance uma parcela maior da população. “É uma maneira de aumentar o nosso escopo de comunicação. No Brasil, a mídia é muito ligada ao agronegócio. Eles são parceiros, as empresas de agronegócio fazem anúncios e propagandas nesses meios”, diz.

Segundo ele, “as empresas de comunicação participam das associações dos ruralistas e da bancada ruralista no Congresso”. “Isso faz com que as notícias sobre o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxico do mundo, sobre todos os problemas de saúde que os agrotóxicos causam na população, dificilmente sejam veiculadas pela chamada grande mídia. Então uma oportunidade como essa, em que o samba-enredo de uma escola do Carnaval do Rio toca nesse assunto, de forma tão profunda e brilhante, é realmente um avanço muito grande.”

Notas de repúdio

Várias entidades do agronegócio divulgaram notas de repúdio à escola, além do senador ruralista Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás. A Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil disse que a Imperatriz "aborda questões complexas sem conhecimento adequado e que o samba-enredo tem um viés alarmista característico da linha de pensamento pseudoambientalista".

Já a Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil) escreveu que está preocupada com a forma como a escola contextualizou o samba-enredo, "abordando negativamente aspectos da produção e a utilização de agrotóxicos".

“É o PIB da atividade agropecuária nos últimos três anos que tem mantido a balança comercial brasileira positiva. E a escola de samba não pode, sem explicações, tentar demonstrar (o malefício do uso de agrotóxicos). Não achamos isso uma coisa justa, nem para o país”, opina Marco da Rosa,  presidente da Aprosoja Brasil.

Ele conta que a pesquisa para o samba-enredo foi realizada no seu município no Mato Grosso, chamado Canarana. “É o início do Parque do Xingu. E a nossa convivência com os índios é excelente. Não temos problema nenhum. A escola não demonstra a realidade, é algo deturpado.”

Tudo pela imagem

Para Tygel, as críticas das entidades do agronegócio são infundadas e apenas atendem ao interesse dos grandes produtores de prezar pela imagem.

"Isso é muito sintomático. Houve até a ameaça de abertura de uma CPI, algo totalmente descabido. O agronegócio tem consciência de como sua imagem é ruim perante a sociedade brasileira. De como é associado ao trabalho escravo, ao desmatamento, à poluição, ao uso de agrotóxicos. Então, para eles, ver uma ala de uma escola de samba falando dos fazendeiros e de seus agrotóxicos é prejudicial para a imagem do agronegócio. Por isso, houve essa reação tão enérgica e enfática por meio de seus representantes."

Já Marco da Rosa diz que o produtor agrícola não pode dispensar o uso de agrotóxicos. "É preciso utilizar, senão não se produz nada. Eu não defendo. É uma necessidade para se produzir, ainda mais em um país tropical", afirma.

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