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Tribo indígena boliviana tem as artérias mais saudáveis do mundo

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Os chimanes da Bolívia têm artérias saudáveis ONU

Os chimanes da Bolívia, um grupo indígena amazônico, têm as artérias mais saudáveis do mundo, devido à sua alimentação pobre em gorduras e a uma atividade física intensa, segundo estudo publicado nesta sexta-feira (17) pela revista médica britânica The Lancet.


"Eles têm os níveis mais baixos já detectados de enrijecimento das artérias, a chamada aterosclerose)", diz a pesquisa. Esa condição é uma degeneração dos vasos, que se manifesta pela formação de placas. Elas podem desacelerar ou obstruir o fluxo sanguíneo, o que provoca doenças coronárias e infartos.

Os membros da comunidade indígena, integrada por cerca de 6 mil pessoas, têm cinco vezes menos chances de desenvolver a doença do que os americanos. Entre 2014 e 2015, os pesquisadores realizaram tomografias computadorizas em 705 chimanes adultos, entre 40 e 94 anos, que viviam em 85 aldeias da Amazônia.

Com base nos resultados, eles concluíram que quase 9 em cada 10 pessoas da tribo (85%) não tinham nenhum risco de doença cardíaca, que 13% tinham um risco baixo e que apenas 3% tinham um risco moderado ou alto. Em comparação, cerca de metade dos americanos entre 45 a 84 anos têm um risco moderado ou alto de doença cardíaca.

O estudo revelou que a pressão sanguínea, o pulso cardíaco e os níveis de colesterol e açúcar no sangue dos chimanes também eram baixos e relacionou esses fatores com o estilo de vida, sem poder estabelecer cientificamente uma relação direta de causa e efeito.

"Uma dieta pobre em gorduras saturadas e rica em carboidratos não processados, peixes e animais selvagens, junto aos fatos de não fumar e de fazer exercício físico, podem ajudar a prevenir a aterosclerose", disse o coautor do estudo, o professor Hillard Kaplan, da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos.

Carboidratos ricos em fibras

Embora o estilo de vida dos chimanes seja muito diferente do da sociedade industrializada, "alguns elementos são transferíveis", aponta o estudo. Eles se alimentam sobretudo à base de carboidratos ricos em fibras, como arroz, mandioca, frutas e milho.

E, enquanto nos países industrializados a população passa mais da metade das suas horas acordada em modo sedentário, no caso dos chimanes essa taxa é de apenas 10%.

Sua vida de subsistência, que inclui caçar, pescar e se dedicar à pecuária, faz com que eles passem entre seis e sete horas diárias fisicamente ativos, no caso dos homens, e entre quatro e seis horas, no caso das mulheres.

No entanto, a expectativa de vida dos chimanes é de 70 anos, em comparação com a média de 80 anos nos países industrializados, e 20% dos recém-nascidos da tribo morrem antes de completar um ano.

Tim Chico, cardiologista da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, alertou que é importante não "idealizar" a saúde dos chimanes, que sofrem com frequência de doenças infecciosas e problemas intestinais.