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Sífilis congênita mata mais bebês do que Zika e Aids no Brasil, diz especialista em DSTs

Por Daniella Franco

Na edição de 2017 do Congresso Mundial de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e HIV, que iniciou no domingo (9), no Rio de Janeiro, os especialistas lançaram o alerta sobre uma epidemia global de sífilis. Em entrevista à RFI, um dos presidentes do evento, o ginecologista e obstetra Mauro Romero Leal Passos, ressaltou que o número de bebês que morrem no Brasil de sífilis congênita supera o número de óbitos de crianças com menos de um ano de idade com Zika e HIV.

"No Brasil, há registro de mais de 260 óbitos de bebês por sífilis congênita por ano. Se você contabilizar quantos morreram por Aids ou por Zika, é assustador o quanto o de sífilis é maior", afirma Passos, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis.

Os números mostram que a evolução da doença nos últimos anos é importante no Brasil. Em 2008, houve o registro de mais de cinco mil casos de sífilis em crianças com menos de um ano de idade. Em 2013, foram mais de 13,7 mil casos. No ano passado, foram registrados 22 mil novas contaminações em bebês.

Por isso, de acordo com o especialista, é preciso urgentemente avançar no combate à doença, cujo tratamento em mulheres grávidas é feito com penicilina. "É uma vergonha. Não conseguimos entender como o Brasil tem essa quantidade de sífilis congênita, já que tanto o diagnóstico e o tratamento são simples e baratos", diz.

Falta de estrutura

Além disso, Passos alerta que os médicos brasileiros não contam hoje com estrutura suficiente para combater certas doenças, como a clamídia e o protozoário Trichomonas vaginalis, que são uma "porta de entrada" para outros vírus e bactérias . "Um microbioma vaginal desestabilizado facilita que outras contaminações ocorram, como de HIV, Hepatite B, de Zika, entre outros", diz.

Para o especialista, além de políticas públicas contra as doenças sexualmente transmissíveis, é necessário que a educação sexual seja inserida nos programas escolares e debatida nas famílias, para que temas como gravidez indesejada, aborto e homoafetividade deixem de ser tabu. "Temos que aproveitar todos os espaços para falar sobre saúde e sexualidade sem preconceito para podemos avançar no combate às DSTs. Esse é um dever das famílias, das escolas, de todos", salienta.

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