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Taxa de espermatozoides de homens ocidentais cai 50% em 40 anos

Por Patricia Moribe

A concentração média de espermatozoides em homens nos países ocidentais caiu pela metade em 40 anos, revela estudo publicado pelo jornal científico "Human Reproduction Update".

“O levantamento envolve uma revisão sistemática e a metanálise de dados de 1973 a 2011, referentes a artigos publicados de 1981 a 2013”, explica Anderson Joel Martino Andrade, professor do departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná, que participou do estudo como pesquisador visitante do Hospital Mount Sinai, em Nova York.

Foram revisados 185 estudos – a partir de mais de 7.500 – com dados de 42 mil homens. Eles foram divididos, de um lado, entre homens comprovadamente férteis, ou seja, que já eram pais ou com companheiras gestantes, e de outro, de candidatos cujo estado de fertilidade era desconhecido. Também foi levado em consideração o critério geográfico, com um grupo “ocidental” (América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia) e outro juntando outras regiões, como América do Sul, Ásia e África.

Poucos dados do Brasil

Andrade conta que foi observada uma tendência geral ao declínio, “mais acentuada nos homens cujo estado de fertilidade era desconhecido, principalmente no primeiro grupo”. A leitura que se pode fazer, diz o pesquisador, é de que “ou o declínio efetivamente não existe ou eram poucos dados vindos desse grupo". "Alguns estudos brasileiros foram incluídos, mas são muito poucos, não dá para afirmar que a tendência é global”.

O pesquisador explica que o estudo não foi dirigido para estudar causas, mas diz que é possível fazer especulações. Ele cita fatores ambientais, como a exposição a substâncias químicas, particularmente os desreguladores endócrinos, ou seja, que podem interferir na ação de hormônios - em diferentes idades da vida, desde a fase intrauterina até a adulta. O especialista cita outros fatores suspeitos, como tabagismo, obesidade e estresse.

Infertilidade masculina é tabu

A baixa concentração de espermatozoides e a sua qualidade podem afetar a fertilidade do homem, assunto ainda tabu em clínicas, como conta Vinicius Medina Lopes, ginecologista e especialista em reprodução humana. “Geralmente é a mulher que busca o especialista, mas sabe-se que as causas da infertilidade podem ser de 30% a 40% por causa do homem, a mesma taxa para a mulher, e entre 20% e 25% de casos em que os dois apresentam algum problema”, explica o médico.

Lopes conta que, na maioria das anomalias do sêmen, as causas são difíceis de ser apontadas. Um problema mais comum de ser determinado, conta o médico, é a varicocele, “uma dilatação das redes do testículo, levando a um aumento da temperatura, reduzindo a quantidade e a qualidade dos espermatozoides”. Ele cita ainda abuso de hormônios em práticas esportivas ou distúrbios hormonais provocados pela obesidade.

Anderson Andrade alerta para a necessidade de estudos que busquem as causas da baixa na concentração de espermatozoides, uma vez que o estudo do qual participou “comprova sua queda rápida e contínua” nas últimas décadas.

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