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Meio Ambiente
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Nem Harvey, nem Irma farão Trump acreditar nas mudanças climáticas

Por Lúcia Müzell

Em menos de um mês, dois intensos ciclones atingiram os Estados Unidos: em agosto, o Harvey, um dos maiores furacões de todos os tempos, provocou graves danos no Texas, e em setembro o Irma atingiu a Flórida. Pela primeira vez, o presidente americano, Donald Trump, se viu confrontado a catástrofes naturais no país, em dois eventos que voltaram a chamar a atenção para a postura “climatocética” do líder republicano.

É assim que são chamados aqueles que não acreditam que a atividade humana é responsável pelas mudanças climáticas. Os cientistas indicam que as alterações do clima farão com que os fenômenos naturais extremos sejam cada vez mais frequentes e intensos. Mas Trump refuta essa tese: para ele, “o conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses, para tornar a indústria americana menos competitiva”.

 

A crença de que o homem não está na origem das reações violentas da natureza fez com que uma das suas primeiras medidas no cargo tenha sido retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, o maior compromisso internacional para atenuar as mudanças climáticas e o aquecimento do planeta.

 

A recorrência dos furacões poderia mudar essa postura? O escritor Soufian Alsabbagh, autor de La Nouvelle Droite Americaine (A Nova Direita Americana, em tradução livre), acha que não. O estudioso do Partido Republicano observa que Trump tem se mantido fiel às suas promessas de campanha - e a maioria dos seus eleitores também duvida que o planeta esteja sofrendo as consequências da poluição.

 

“A maioria dos americanos em geral acredita que as mudanças climáticas são resultado da atividade humana, mas entre os republicanos, não. No fundo, Donald Trump faz um verdadeiro cálculo eleitoral e político. Ele só pensa nas eleições legislativas de 2018 e na própria reeleição, em 2020. Para isso, ele precisa se consolidar o campo dele”, afirma. “Mas é interessante notar que muitos Estados do sudeste dos Estados Unidos votam tradicionalmente nos Republicanos, e talvez este eleitorado, atingido pelas catástrofes naturais, possa mudar de opinião sobre as mudanças climáticas. Isso, sim, poderia fazer Trump mudar de posição.”

 

O cientista político Gamaliel Perruci, professor da Universidade Marietta, em Ohio, também acha que uma mudança de Trump é pouco provável. Ele nota que a preocupação com o clima é um assunto que parece interessar mais à imprensa do que aos americanos em geral.

Pressão sobre Trump diminuiu

“Eu acho que a base política do presidente Trump não vai mudar de opinião sobre a questão das mudanças climáticas. Por isso, para o governo nacional, não tem essa pressão política de mudar a sua posição. Em geral, o americano se preocupa mais com as questões domésticas do que as globais, o que eu considero um paradoxo: os Estados Unidos ocupam uma posição de potência global, com influência muito alta em eventos em nível global”, avalia o cientista político. “Além disso, o Congresso, que poderia botar pressão, está bem fragmentado e não têm uma posição muito unida nessa questão.”

 

Perruci destaca que a preparação dos Estados Unidos para a chegada dos ciclones atenuou os estragos dos fenômenos. Por isso, constata o professor, muitos americanos concluem que não vale a pena se preocupar com as mudanças climáticas: basta se organizar para enfrentá-las.

 

“Esses dois furacões têm conscientizado mais a população sobre a questão climática global. Mas do ponto de vista político, acho que não vão fazer nenhuma diferença, inclusive porque o efeito dos furacões não foi tão devastador como se previa no início. Isso pode até gerar um efeito oposto”, adverte. “Esse é um período que costuma ter muitos furacões e não foi nenhuma surpresa ter tido mais esses. Acho que a percepção da população em geral é de que os fenômenos são uma coisa que, infelizmente, faz parte do cotidiano.”

 

Alsabbagh avalia que Trump pode até se beneficiar politicamente com as catástrofes. Depois de sete meses de mandato, pela primeira vez o presidente obteve uma vitória no Congresso, ao conseguir a liberação de um fundo emergencial de U$S 7,8 bilhões para atender os atingidos pelo Harvey.

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