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Defesa dos Animais Proteção

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Chimpanzés, leões e aves ganham proteção adicional da ONU

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Anfisa, chimpanzé fêmea de 12 anos, vive em um zoológico na Sibéria. (18/10/17) REUTERS/Ilya Naymushin

Leões, chimpanzés, girafas, leopardos e uma ampla variedade de tubarões receberam proteção adicional em uma conferência de vida selvagem da ONU nas Filipinas, afirmaram os organizadores neste sábado (28).


Cerca de 34 espécies ameaçadas foram selecionadas para receber maiores esforços de proteção na convenção da Conservação de Espécies Migratórias (CMS, na sigla em inglês), que acabou neste sábado em Manila. O Brasil é signatário do documento desde 2015.

A proteção de espécies migratórias oferece dificuldades particulares, já que elas atravessam fronteiras, e podem eventualmente passar por países com sistemas de proteção à vida selvagem menos rigorosos, disse Bradnee Chambers, secretário-executivo do CMS.

Segundo organizadores, leões, leopardos e chimpanzés são os que mais precisam de esforços de conservação. O chimpanzé corre riscos particularmente elevados - dados indicam que sua população teve uma queda abrupta nos últimos anos, devido a perdas de habitat.

A girafa, em declínio na África, com menos de 90 mil animais na natureza, também está na lista. Todos os quatro grandes mamíferos africanos foram aprovados por uma "maioria ampla" para receberem medidas de proteção adicionais, diz uma nota do CMS.

Feios, mas ameaçados
   
Animais menos populares também receberão a proteção adicional, inclusive dez espécies de abutres. Chambers disse que essas aves oferecem um serviço vital ao limpar as carcaças - prevenindo, assim, que doenças como antrax e raiva se espalhem.

Também aparece na lista o tubarão-baleia - o maior peixe do mundo. O anfitrião do evento fez uma forte campanha pelo animal, que se tornou uma importante atração turística filipina. Três outras espécies do bicho - squatina, tubarão-escuro e tubarão-azul - foram listadas, bem como três tipos de arraias, disseram os organizadores.

A ONG conservacionista Pew Charitable Trusts elogiou as ações do CMS, dizendo que foram cruciais para salvar os animais marinhos. "Em algumas regiões, as espécies recém-protegidas de tubarões tiveram declínios populacionais de 50%, ou mais", afirmou a especialista em conservação da Pew, KerriLynn Miller, em nota.

O urso Gobi, uma subespécie do urso-pardo que vive nas regiões selvagens compartilhadas entre Mongólia e China, também foi listado. Há apenas 45 espécimes dele na natureza, segundo os organizadores.

Um dos avanços do encontro foi a adoção de um "mecanismo de revisão de conformidade", para conferir se os países-membros respeitam as listas de proteção. O especialista de conservação da Pew, Max Bello, disse que mesmo que as listas do CMS não tenham sanções, muitos membros países ainda as cumprem.

Esforços positivos

"Funciona. Precisa de mais (autoridade), com certeza. Mas você pode usar ele. É uma ferramenta muito boa", disse à AFP. "Há um ou dois anos, estava ajudando alguns grupos no Peru, na costa sul do Pacífico, e usamos o CMS para convencer o governo do Peru a proteger as arraias gigantes que vêm do Equador todo ano", ele lembra.

Mais de 120 países fazem parte do CMS, mas China e muitas nações asiáticas estão de fora. "Estamos tentando trabalhar para a China embarcar como membro da convenção, tentando envolvê-los, e eles realmente estão fazendo alguma coisa", disse Chambers à imprensa.

A China já tinha feito algum progresso, com a proibição de sopas de barbatanas de tubarão em banquetes oficiais e do marfim, a partir do fim de 2017, afirmou. "O que é preciso é envolvimento positivo com o país, para ver como encontrar soluções, em vez de apenas criticar e olhar para o lado negativo", acrescentou Chambers.