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Financiamento privado pelo clima aumenta, mas barreiras persistem

Por Lúcia Müzell

Dois anos depois da histórica Conferência do Clima de Paris, a capital francesa recebeu nesta terça-feira (12) uma nova cúpula, focada na ação da iniciativa privada e dos bancos de investimentos para financiar as ações contra as mudanças climáticas. Os presidentes de gigantes das finanças como o banco HSBC e a seguradora AXA, a maior do mundo, se comprometeram a ampliar os fundos disponíveis para empresas e projetos de diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

O aumento dos recursos é uma realidade - hoje em dia, raras são as companhias que podem se dar ao luxo de ignorar a questão climática. Por um lado, elas temem sofrer represálias dos próprios clientes, cada vez mais sensíveis ao tema. Por outro, muitas estão conscientes da ameaça de serem vítimas, elas próprias, de catástrofes naturais e outros efeitos das mudanças do clima. Quem alerta é um dos mais famosos bilionários dos Estados Unidos, Michael Bloomberg.

Além de comandar um império financeiro e midiático, o ex-prefeito de Nova York preside o Grupo de Trabalho sobre o Financiamento Climático (TCFD, na sigla em inglês). A iniciativa já conta com a adesão de 1.700 grandes companhias e investidores, entre eles muitos comprometidos em chegar ao objetivo de produzir com 100% de energia limpa, no futuro.

“No dia seguinte a Trump anunciar a sua retirada do acordo sobre o clima, vim para Paris para dizer, ao lado do presidente Emmanuel Macron, que o povo americano está comprometido com o acordo. A nossa coalizão hoje representa mais da metade da economia americana”, explicou Bloomberg. “Se fôssemos um país, seríamos a terceira maior economia mundial e, juntos, vamos cumprir o objetivo que o nosso país assumiu em Paris, de cortar as emissões em no mínimo 26%. Não há nada que Washington possa fazer para nos impedir.”

Força da lei tem impacto mais negativo do que positivo

Uma das vitórias do Acordo de Paris foi ter obtido compromissos voluntários dos países em relação ao clima – é por isso que, para a iniciativa privada, o acordo tem mais valor do que se fosse imposto pela força de leis. Jean-François Habeau, diretor-executivo do Fundo Mundial pelo Desenvolvimento das Cidades, nota que a questão climática já está integrada nos modelos de negócios.

“As empresas não precisam mais de regulação para compreender como elas devem planejar o futuro neste aspecto. Elas sentem isso desde a hora de contratar funcionários: a geração mais jovem é muito sensível às mudanças climáticas, afinal é o futuro dela que está em jogo”, afirma. “Em segundo lugar, pelos próprios produtos. Se os produtos não estão sensibilizados ao tema, eles não servem mais para nada no mercado.”

Acesso ao dinheiro ainda é complexo

As organizações não-governamentais confirmam os avanços, mas ressaltam que dois problemas principais impedem progressos ainda maiores: os mesmos bancos que financiam as ações climáticas continuam a dar dinheiro para grandes poluidoras, como as companhias petrolíferas. Além disso, o acesso ao financiamento permanece difícil para projetos nos países em desenvolvimento, devido à ausência de garantias suficientes para os bancos e investidores.

“A nossa convicção é de que, mesmo se hoje nós temos cada vez mais dinheiro disponível para as ações climáticas - e essa cúpula é mais uma prova -, não significa que essa verba seja acessível a todo mundo que precisa. Quanto menor o projeto, menos dinheiro é liberado”, lamenta Ronan Dantec, presidente da Associação Climate Chance, a maior rede de iniciativas não-governamentais em favor do clima. “Mas se quisermos atingir o objetivo de menos de 2°C de aquecimento do planeta até 2100 e os objetivos do desenvolvimento sustentável, precisamos da massificação das ações nos diferentes territórios, pelos diversos atores capazes de agir. No entanto, pelo que ouvi aqui, o acesso ao financiamento para a diversidade de atores é uma questão que está longe de ser resolvida.”

Um relatório publicado por respeitadas ONGs denunciou que os bancos de desenvolvimento e instituições públicas dos países do G20 gastam US$ 72 bilhões em projetos ligados às energias fósseis, as mais poluentes. O valor é quatro vezes maior do que o investido nas energias renováveis.

 

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