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Na França, tomar anestesia é quase tão seguro quanto andar de avião

Por Taíssa Stivanin

Como os métodos evoluíram ao longo dos anos graças ao surgimento de substâncias que agem com cada vez vez mais precisão.

A primeira anestesia foi inventada no século 19 por um dentista, Thomas Green Morton, que entrou para a história, ao utilizar éter em uma cirurgia pela primeira vez, em 1846. A demonstração pública, comum na época, aconteceu em um hospital em Boston.

Experiências utilizando o óxido nitroso já haviam sido realizadas por um de seus colegas, Horace Wells, mas uma delas quase matou um paciente e o cirurgião dentista caiu em descrédito.

Essas invenções revolucionaram a Medicina. Até então, a única solução para os pacientes era suportar a dor ou atenuá-la utilizando plantas, álcool, maconha, acupuntura ou outros métodos. A eficácia, naturalmente, era relativa se comparada aos opiáceos e analgésicos superpotentes utilizados nos hospitais.

Esse sofrimento, hoje inimaginável, foi no entanto suportado durante séculos por nossos antepassados, e até mesmo na Primeira Guerra Mundial, diante da penúria de alguns produtos. As dores eram encaradas a frio, e as cirurgias eram realizadas o mais rapidamente possível. Os pacientes chegavam até mesmo a ser amarrados. Amputações e mortes depois das operações eram frequentes.

De lá para cá, muita coisa mudou. As técnicas se desenvolveram e se aperfeiçoaram, mas a profissão de anestesista é algo ainda relativamente recente na história da Medicina. Os primeiros anestesistas como conhecemos hoje surgiram nos anos 60, explica o presidente do Sindicato francês do setor, Claude Ecoffey. Antes elas eram praticadas pelas enfermeiras ou pelo próprio cirurgião.

“Ficou provado que o aparecimento dos anestesistas estava relacionado a um aumento da taxa de sucesso das cirurgias. Havia menos mortes ligadas à anestesia e à própria operação”, diz. Quase tão segura quanto andar de avião, hoje as anestesias modernas trazem poucos riscos se aplicadas corretamente, afirma o médico francês.

“No início havia pouquíssimos produtos disponíveis, mas com o aumento do número de anestesistas, no final dos anos 70, a indústria farmacêutica começou a lançar no mercado muitos anestésicos. Nos anos 80 e 90, houve uma grande avanço na área, por conta dessas novas substâncias, muito mais seguras, com maior controle de seus efeitos nos pacientes e menos efeitos colaterais”, descreve.

O advento de novos antibióticos e a administração dos remédios em profilaxia por volta dos anos 80 também facilitou a recuperação dos pacientes, menos suscestíveis às infecções.

Nos anos 2000, uma grande pesquisa feita na França mostrou que a taxa de mortalidade em uma anestesia é de um para 150 mil, que é extremamente baixa se comparada à da cirurgia, por exemplo, que é de 3% no país. Mas apesar dos progressos, ainda hoje muitos pacientes não se sentem totalmente confortáveis à ideia de tomar uma anestesia, reconhece Claude Ecoffey.

Na França, mais anestesias gerais

As anestesias são praticadas da mesma maneira em todos os países? Na França, são realizadas aproximadamente 30% loco-regionais e 70% gerais, conta o especialista francês. A escolha é feita em função da cirurgia que será realizada, e a opção pode ser uma mistura de duas anestesias.

Segundo ele, no país é provável que haja um número maior de anestesias gerais, mas os produtos utilizados nos procedimentos são similares aos de outros países europeus. A substância intravenosa mais usada atualmente nesse caso é o Propofol, mas existem outras opções para inalação.

Os efeitos dos produtos duram em geral 24 horas e podem ser mais longos em pessoas idosas, por exemplo, mas em geral essas sensações são raras.

Qual é o mecanismo da anestesia?

No caso da anestesia geral, há perda de consciência e o paciente mergulha em um coma artificial reversível, sob a ação dos medicamentos. “A anestesia geral age diretamente no cérebro, mas quando fazemos uma anestesia loco-regional, utilizamos produtos locais, próximos dos nervos, em regiões periféricas, que vão bloquear a transmissão da dor. Em função do produto utilizado isso vai durar 1 ou 2 horas e também é reversível”, explica.

De acordo com o especialista, o próximo passo agora é melhorar o monitoramento dos pacientes durante o procedimento. Em termos de medicamento, ele espera agora que a indústria farmacêutica invista na pesquisa de produtos mais precisos em termos de efeito. “Assim saberíamos, por exemplo, que em uma hora, tudo seria evacuado”.

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