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Cardiologista francês identifica proteína que pode provocar morte súbita

Por Taíssa Stivanin

E se a morte súbita dos jovens adultos saudáveis, como é o caso de atletas e de jogadores de futebol, fosse causada por um gene? Essa é a hipótese do cardiologista francês Antoine Leenhardt, que descobriu uma anomalia genética no coração de pacientes sem antecedentes graves, que morrem de uma hora para outra. O Mal provoca, todos os anos, a morte de pelo menos 40 mil franceses.

Muitas vezes, os exames tradicionais não detectam problemas que antecipem esse infarto fulminante, que, em 2004, provocou a morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, que aos 30 anos sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o jogo contra o São Paulo no Morumbi, aos 14 minutos do segundo tempo.

É com o intuito de prevenir tragédias como essa que a equipe do médico francês Antoine Leenhardt, do hospital Bichat, em Paris, trabalha para identificar exatamente como esse traço genético pode provocar mortes súbitas em pessoas entre 15 e 45 anos. A anomalia, descreve o cardiologista, foi identificada depois de a equipe analisar o DNA e testar 50 genes diferentes em 18 vítimas de morte súbita.

Quatro delas apresentavam a mesma anomalia, que pode causar a chamada fibrilação ventricular: o coração não para, mas bate tão rápido que se torna incapaz de exercer sua função vital – a de bombear e distribuir o sangue para todo o corpo. “É uma proporção suficientemente importante para que não seja considerado um acaso. Por isso queremos verificar se essa anomalia também existe em um número maior de pacientes”.

Em suas pesquisas, a equipe de Antoine Leenhardt descobriu que uma proteína tem um papel crucial nessa falência cardíaca de pacientes com predisposição genética. Por enquanto, ela foi batizada de X, porque ainda não foi patenteada.

“Nossa hipótese é que essa proteína, que codifica o músculo cardíaco, tem uma participação nas violentas arritmias. Essa será a primeira vez que poderemos demonstrar isso. Normalmente, isso é determinado pelas anomalias genéticas envolvidas na codificação dos canais de potássio, cálcio ou sódio, envolvidos no funcionamento do coração. Nesse caso, trata-se de uma proteína da estrutura do coração, o que é totalmente novo”.

A próxima etapa do projeto será financiada agora pela francesa Fundação Coeur et Recherche, que apoia pesquisas na área, e será conduzida em laboratórios especializados de Paris, Bordeaux, Toulouse e Reino Unido. Nessa fase, 50 novos pacientes, com histórico familiar de morte súbita, terão o DNA analisado. O objetivo é descobrir qual é o mecanismo exato que desencadeia a parada cardíaca, e em seguida propor um acompanhamento para prevenir o infarto fulminante.

“Vamos utilizar o gene modificado em ratos, para entender como essa mutação modifica a proteína e o músculo cardíaco e, como, modificado, ele pode causar problemas no ritmo cardíaco. Entendendo o que acontece, a gente espera propor medidas preventivas e terapêuticas. Por enquanto ainda é cedo para dizer quais serão essas medidas”.

O especialista lembra que frequentemente pessoas com casos na família de morte súbita devem estar mais atentos e procurar por atendimento especializado e realizar o teste genético. O mesmo vale para pessoas que tiveram um parente próximo (pais ou irmãos) vítimas de acidentes cardiovasculares. Para os outros, a recomendação médica é manter uma atividade física regular, que protege o coração.

Esporte e problemas cardíacos

O cardiologista francês conheceu diversos atletas profissionais com problemas cardíacos que deveriam interromper a carreira, mas alguns preferem se arriscar. “É uma catástrofe para um jogador de futebol. Sobretudo quando ele vem de um país estrangeiro e seu salário sustenta toda sua família, ou até mesmo todo seu vilarejo”.

Segundo eles, alguns desses atletas preferem se expatriar em países onde sua saúde é menor monitorada, e colocar a vida em risco. Uma mensagem importante, diz o cardiologista, é que, com frequência, essas mortes súbitas acontecem depois da aparição de pequenos sintomas, como desmaios, principalmente durante um esforço físico. Nesse caso, a visita ao médico é obrigatória. “Não é um sintoma banal”, diz o especialista.

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