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Meditação pode ajudar a envelhecer melhor, diz pesquisa

Por Taíssa Stivanin

Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto francês Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica) mostrou que a prática da meditação poderia diminuir o stress, a ansiedade, as emoções negativas e os problemas de insônia, que tendem a aumentar com a idade.

A pesquisa foi realizada por um grupo de pesquisadores das cidades de Caen e Lyon, que analisou os exames cerebrais de 67 pacientes de cerca de 65 anos, e os comparou aos resultados de meditadores profissionais. O estudo apontou diferenças significativas em algumas regiões do cérebro dos adeptos da meditação. Entre elas, o volume da massa cinzenta, do córtex cerebral e do cíngulo, que faz a ponte entre o sistema límbico, que gerência as emoções, e o córtex.

Além disso, uma das hipóteses dos pesquisadores é que a prática possa ajudar o cérebro a manter o nível de consumo de glicose, que diminui com o envelhecimento, independentemente do modo de vida ou do nível educacional. A diminuição do volume cerebral, também típica desse processo, provoca um declínio das funções cognitivas.

A diretora de pesquisas do Inserm e neurocientista Gael Chetelat, uma das autoras desse estudo, coordena um laboratório de pesquisas que visa melhorar a vida dos idosos. Batizado de Silver Santé Study, o projeto reúne diversas pesquisas que ajudam a compreender o que pode ajudar os pacientes a viver bem, testando os chamados “treinamentos mentais” das meditações ou do aprendizado de um novo idioma, como o inglês. Os primeiros resultados foram publicados em 2017 na revista Scientific Reports.

Treinamento mental

“A meditação é um treinamento mental que regula o stress, as emoções e a atenção”, explica. Em relação ao aprendizado de uma outra língua, ela diz que se trata de um exercício cognitivo. “Através de um mecanismo diferente, a meditação e o inglês devem ter um impacto positivo em diferentes aspectos do envelhecimento”, afirma.

No projeto, os pesquisadores medem o nível de cortisol, hormônio secretado pelo cérebro em situações estressantes. A exposição ao cortisol de maneira contínua pode reduzir o tamanho do hipocampo, estrutura cerebral relacionada à memória, à aprendizagem e às emoções.

O hormônio em excesso também compromete o mecanismo de proliferação celular. “Medimos diferentes parâmetros no sangue, ligados ao cortisol e à regulação das emoções, mas sobretudo as consequências no cérebro, o tamanho do hipocampo, e outras estruturas cerebrais e a ativação de certas regiões durante situações estressantes ou ligadas às emoções”, explica.

Dez pesquisadores de seis países europeus, entre eles a França, a Suíça, a Inglaterra, a Alemanha, a Bélgica e a Espanha participam dessa ampla pesquisa, que envolve outros estudos e recebeu um financiamento de € 6 milhões da Comissão Europeia. Os primeiros resultados devem ser anunciados em 2020, e se as hipóteses forem confirmadas, a meditação poderá ser prescrita para pacientes idosos.

Doença de Alzheimer

O stress e o sono de má qualidade, associados a problemas de memória, são considerados como um fator de risco para o desenvolvimento de doenças como o mal de Alzheimer. Em seu laboratório, a especialista francesa e sua equipe estudam a doença há 15 anos. No projeto europeu, eles pretendem analisar a evolução de um grupo de pacientes com problemas de memória classificados de subjetivos, mas que ainda não podem ser considerados como doentes pelos testes existentes. “Hoje não existe um teste confiável que permite afirmar se a pessoa terá ou não a doença”, declara.

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