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Corrida a Marte lembra grandes navegações portuguesas em conquista de um Novo Mundo

Por Alfredo Valladão

Nada melhor do que estar em Portugal para sonhar com a nova missão espacial da NASA em direção à Marte. Uma tentativa de instalar um sismômetro e um captor de fluxos de calor para mapear o coração rochosos do nosso vizinho. Porque será que um corpo celeste no começo tão parecido conosco perdeu toda a sua água e atmosfera? A ideia é obter bastantes informações para um dia chegar lá.

O planeta vermelho está na moda. A Rússia e a China estão preparando missões, enquanto os europeus já participam no programa da NASA. Mas por enquanto, só os americanos tiveram sucesso e já conseguiram alinhar dois terços dos lançamentos e dos pousos de veículos robóticos na superfície marciana. Mas o jogo está mudando com a entrada em campo de grupos privados como o Space X do Elon Musk ou a companhia holandesa Mars One.

Os dois já anunciaram que seu objetivo é fazer lançamentos de robôs para preparar a chegada dos primeiros astronautas e implantar a primeira colônia humana permanente no solo de Marte em meados dos anos 2020. Isto é amanhã! Não são mais só governos que têm vontade, meios e ambição para descobrir e até viver em novos planetas.

Empresários corajosos – ou temerários – já estão se mexendo, não só por espírito de aventura mas também pela perspectiva de polpudos lucros: colônias humanas explorando extraordinárias reservas de minério ou inventando novos produtos e materiais nas condições ambientais diferentes de planetas ou asteroides acessíveis.

Tudo isso parece cada vez mais com a efervescência de Portugal no lançar das “grandes descobertas” no final do século XV. Naus financiadas pelo Tesouro real que partiam para mapear territórios desconhecidos, abrindo o caminho para frotas de caravelas custeadas por particulares junto com o Estado. Essas primeiras parcerias público-privadas buscavam altos lucros no comércio do ouro ou das especiarias, e procuravam conquistar e estabelecer monopólios comerciais e pontos de apoio nos novos países encontrados.

No começo do Renascimento, a viagem era mais de que incerta. A história das navegações portuguesas – e também das espanholas – era feita de terríveis naufrágios, epidemias a bordo, doenças tropicais e erros de rota. Muitas vezes não se sabia aonde se ia chegar. Entrava-se mar adentro sem ter ideia se haveriam terras para aportar.

As viagens transatlânticas eram tão angustiantes e perigosas quanto a saga das conquistas espaciais do século XX. Mas haviam dois motores irresistíveis para afrontar todos os perigosos: a fome de lucro e a imensa curiosidade da descoberta. Uma vontade de arriscar tudo para escapar de uma sociedade ainda feudal, parada, onde quem não tinha a sorte de nascer em grandes famílias aristocráticas sabia de antemão onde nasceria, morreria e labutaria sem nenhuma perspectiva de melhora pelo resto da vida. Sair de sua condição de súdito miserável ou sem esperança de ascensão, para tentar ser rico e rei em outro lugar.

Fugir de um mundo onde não se vê mais saída

As “grandes descobertas”, glória e horrores misturados, foram também a revelação de que a mais fundamental das liberdades individuais é a de ir e vir. A possibilidade de dizer: “vou me embora construir outra vida em outro sítio”. Fugir de um mundo onde não se vê mais saída e criar um futuro diferente. Não é por acaso que hoje, com a globalização das economias, das sociedades e das comunicações entre terráqueos, haja alguns sonhando em se picar desse planeta poluído e cada vez mais instável e angustiante.

A velha “saudade” lusitana é filha das navegações: é a nostalgia do futuro ou – melhor – de um tempo onde o futuro existia. Um tempo que desapareceu quando os navegantes fizeram a volta ao mundo e não havia mais nada para descobrir. O sonho de Marte é só a ânsia de criar novas fronteiras a serem conquistadas. É exercer a liberdade de deixar o velho mundo atrás e inventar outro destino.

 

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