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Câncer de pele: dermatologistas fazem despistagem gratuita em Paris

Por Taíssa Stivanin

Para lutar contra o melanoma, uma das formas mais graves e fatais do câncer de pele, o Sindicato Nacional dos Dermatologistas da França promoveu uma semana de despistagem nos consultórios, gratuitamente, entre os dias 14 e 18 de maio. O objetivo foi fazer um diagnóstico precoce e evitar que a doença atinja um estado incurável.

Nesta quinta-feira (17) nublada em Paris, a dermatologista francesa Claire Geoffray se levantou cedo para receber em seu consultório, situado no 17° distrito da capital francesa, 15 pessoas em apenas três horas. As consultas, gratuitas, vão durar toda a manhã e visam detectar uma possível lesão maligna na pele dos pacientes, que começam a chegar às 8h30 e lotam a sala de espera. A médica participa de uma campanha nacional, que já existe há 20 anos, com o objetivo de sensibilizar a população para o risco de câncer. As consultas acontecem também em centros de saúde e são realizadas por outros médicos voluntários que participam da ação.

Entre dois pacientes, a dermatologista francesa respondeu às perguntas da RFI Brasil. Ela explica, por exemplo, que um jardineiro corre um risco muito maior de desenvolver um melanoma, a forma mais agressiva do câncer de pele, do que um executivo que passa seus dias fechado em um escritório. O risco de ter um câncer de pele não é necessariamente visível. Sem sintomas, ou com lesões banais, o paciente muitas vezes não procura ajuda médica.

“Nosso objetivo com essa campanha é sensibilizar as pessoas que sempre estão debaixo do sol e não enxergam suas lesões. Queremos que elas marquem uma consulta e sejam examinadas. Um homem, por exemplo, na maior parte do tempo desenvolve lesões nas costas. Se ele nunca consulta um clinico-geral ou ninguém repara em suas costas, ele pode desenvolver um melanoma sem se dar conta”, explica a médica francesa. Em seu estágio inicial, o câncer pode ser curado em 95% dos casos.

Apesar de a França enfrentar todos os anos invernos rigorosos, com longos períodos de pouca luz, cerca de 80 mil franceses desenvolvem tumores que atingem a pele e provocam o crescimento anormal de suas células. Esse tipo de tumor mata cerca de 1500 franceses por ano, índice comparado ao número de vítimas fatais nas estradas. Os casos triplicaram entre 1982 e 2012. O câncer de pele, contrariamente a muitos outros, também depende pouco da propensão genética e atinge principalmente pessoas que se expuseram excessivamente à luz solar e aos chamados raios ultravioletas.

Esta é a primeira vez que paciente Levanah Aroche vai a um dermatologista para um exame de pele. T. Stivanin

Lévanah Aroche mora perto consultório da dermatologista Claire Geoffray e marcou uma consulta para verificar se corre risco. Foi uma das primeiras pacientes a entrar no consultório. Ela conta que tem muitas pintas espalhadas pelo corpo e, aos 52 anos, nunca tinha sido examinada por um dermatologista.

“Já estava na hora. Todo mundo se questiona a respeito do câncer de pele. Uso um creme com fator 50 de proteção, mas será que é suficiente? Não sei dizer. Há momentos em que eu me preocupo, e outros em que penso: vamos todos morrer de alguma coisa. Alea Jacta est, a sorte esta lançada!”, brinca.

Pouca influência genética

Existem três tipos de câncer de pele. O mais invasivo é o melanoma, que atinge 12% da população francesa e contra o qual existem poucas soluções de tratamento se ele se espalha pelo organismo e atinge outros órgãos. Por isso é necessário diagnostica-lo rapidamente. Pacientes com pele e olhos claros que tomaram sol demais quadro crianças correm mais risco de desenvolvê-lo.

“Sabemos que antes dos 25 anos, de um modo geral, as pessoas já gastaram cerca de 80% chamado “capital solar”, a capacidade de regeneração da pele. Esse dado é muito importante, porque um dos objetivos dessa campanha é sensibilizar os jovens e os pais, para que protejam seus filhos”, diz a dermatologista.

Campanha nacional de prevenção ao câncer de pele T. Stivanin

O segundo tipo é conhecido como carcinoma basocelular, mais comum em pacientes com mais de 60 anos, resultado do acumulo da exposição solar ao longo da vida. O terceiro é o carcinoma espinocelular, gerado a partir de uma lesão específica, que pode provocar coceira e descamação. Se não for tratada, ainda que ele seja menos agressivo do que o melanoma, também provocar uma metástase.

A única maneira de se proteger desses cânceres é evitar o sol ou se expor com moderação, já que a influência genética é relativamente pequena, afirma a especialista. “Tem que tomar sol na hora certa, cedo de manhã ou bem tarde. A melhor proteção é a sombra, de uma árvore ou de um guarda-sol. O tecido também é importante", lembra. "Existem cada vez mais roupas que protegem dos raios ultravioletas, que têm uma proteção fator 50, muito importante para as crianças. Não se esquecer também do chapéu. Tem muitos casos de tumores no crânio em homens calvos, principalmente. Sempre explico para meus pacientes: geneticamente, o crânio não é feito para tomar sol”.

Segundo ela, as lesões no crânio correspondem a 80% dos casos de câncer que a dermatologista atende em seu consultório. A médica também lembra que os protetores solares têm uma eficácia limitada. Isso porque depois de duas horas, com o suor, ele já não protege da mesma maneira. Além disso, a dose preconizada nos estudos é raramente respeitada – um tubo por semana por pessoa. Em geral, diz a especialista francesa, quatro pessoas utilizam um tubo de creme solar durante três semanas. Sem contar o fator de proteção, que deve ser sempre 50. “Sempre digo aos meus pacientes: protetor fator 10 ou 20 é só hidratante”.

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