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Cidadãos franceses contribuem como observadores para pesquisas sobre preservação das espécies

Por Daniella Franco

Já pensou em ser um vigia da natureza? É esse o convite que fazem diversos programas de ciências participativas na França a voluntários. Realizando a contagem e a observação do comportamento de pássaros, borboletas, caracóis, morcegos, tubarões, insetos polinizadores e até de plantas, vários projetos documentam a biodiversidade e registram a evolução das espécies com a ajuda de cidadãos leigos.

O projeto Vigie-Nature é o pioneiro dos programas de ciências participativas na França. Fundado pelo Museu Nacional de História Natural e com a participação de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e de associações, ele conta com uma imensa rede de observadores voluntários.

Entre as várias missões, está o Seguimento Temporário dos Pássaros Comuns (Stoc), que permitiu a publicação, no último mês de março, de um estudo alertando sobre o grave desaparecimento de aves no interior da França - um declínio que "atinge um nível próximo de uma catástrofe ecológica", segundo os pesquisadores.

"Através deste programa, descobrimos que os pássaros que vivem em zonas agrícolas estão em forte declínio. Esse é um resultado cientificamente inegável: perdemos um terço de nossos pássaros, então é muito grave", explica Benoit Fontaine, responsável dos projetos do Vigie-Nature.

Segundo ele, através dos resultados obtidos no Stoc com a ajuda de voluntários, os pesquisadores podem relacionar a diminuição da população de passáros a fatores ambientais. "Por exemplo, saber que um determinado tipo de prática agrícola é mais ou menos favorável aos pássaros. Assim, poderemos dizer que as grandes culturas intensivas não são boas para as aves e que as prejudicamos mais nesses meios do que nos meios de criação extensiva", ressalta.

115 observatórios e 38 mil participantes

Na terra, no ar e também no mar... os programas de observação com a ajuda de voluntários também se estendem às regiões litorâneas da França. É o caso da Apecs - a Associação para o Estudo e a Conservação dos Seláquios - que conta com projetos de acompanhamento de tubarões e raias no litoral francês. Entre os objetivos da equipe está a sensibilização do público para conhecimento das espécies, mas também missões de pesquisa que contam com programas de ciências participativas de observação.

"Convidamos os cidadãos a recolher as cápsulas vazias de ovos de raias nas praias e utilizamos esse material coletado para aprender um pouco mais sobre as raias da França. O segundo programa existe desde a criação da associação, em 1997, para recenseamento e observação dos tubarões pelegrinos. Mobilizamos indivíduos que têm contato com o mar - sejam pescadores ou pessoas que vivem ou passeiam nas praias - para nos notificarem sobre a presença dos tubarões pelegrinos", diz Alexandra Rohr, responsável de missões da Apecs.

Em dez anos de coletas de cápsulas de ovos de raia na França, os observadores da Apecs conseguiram coletar cerca de 700 mil unidades deste material. "Há dez espécies de raias diferentes que puderam ser identificadas através de suas cápsulas e também nos permitiu saber que há majoritariamente duas espécies de raias de na França: a raia curva e a raia lenga", ressalta Alexandra Rohr.

Já no programa dedicado aos tubarões pelegrinos, foram registradas entre 220 e 400 observações por ano nesses cerca de 20 anos de programa. "Graças a esse projeto, identificamos setores onde há mais observações dos tubarões - que chamamos de hot spots - na região sul do Finistère e ao longo da costa da Bretanha", salienta.

Nos dois programas juntos, a Apecs registrou a participação de cerca de 3.200 voluntários em 1.200 praias francesas.

115 observatórios e 38 mil participantes

Considerando o interesse dos franceses em colaborar com esse tipo de projeto, o Museu Nacional de História Natural inaugurou em junho o projeto Observatórios Participativos de Espécies e da natureza (Open), que propõe que os voluntários assinalem qualquer espécie animal vista na natureza neste verão. No total, a iniciativa já conta com 115 observatórios e cerca de 38 mil participantes. 

Em seu site, o Open salienta que está aberto para todos, "amador, iniciante ou especialista". "Qualquer que seja seu centro de interesse, você vai encontrar a espécie que mais gosta na grande variedade de programas de ciências participativas", garante.

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