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Meio Ambiente
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Portugal dá passos concretos em direção ao fim do uso de combustível fóssil

Por Patricia Moribe

Em tempos de alertas de tragédias ambientais inevitáveis, as boas novas vêm de Portugal. Em março deste ano, a energia produzida por fontes renováveis superou o consumo do país e o excedente foi exportado. A empresa estatal EDP (Eletricidade de Portugal), por exemplo, apresentou recentemente um projeto inovador de uma plataforma fotovoltaica que flutua em uma barragem.

Já em 2016, Portugal foi o terceiro país da União Europeia em que mais de metade da eletricidade consumida teve origem em fontes renováveis, depois da Áustria e Suécia, empatando com a Dinamarca. A média no bloco europeu é de 30%. Em março de 2018, a produção de energia renovável no país supriu as necessidades em 103,6%.

Foi uma conjuntura de fatores que levou Portugal a esse destaque. Para começar, o país tem uma grande diversidade de fontes de produção de eletricidade renovável. “Temos zonas ventosas e elevadas, biomassa florestal, uma costa que no futuro permitirá o uso da energia das ondas, ou o aproveitamento da energia eólica offshore, e somos um dos países com maior número de horas de sol, além de termos uma longa tradição no aproveitamento da energia hídrica”, explica Francisco Ferreira, presidente da ONG ambientalista Zero.

“Mas a adoção de políticas voltadas ao meio ambiente desde o início deste século também foi essencial, do financiamento à implementação de energia renovável para a produção de eletricidade, principalmente nas eólicas”, diz Ferreira.

Adoção de medidas verdes

“Foi um programa desenhado entre 2000 e 2004, e depois, a partir de 2010, porque todos esses projetos levam tempo para dar resultados”, acrescenta. O sucesso é tanto que a engrenagem já funciona, muitas vezes, sem precisar de qualquer apoio ou subsídio, graças à essa economia de escala, relata o ambientalista.

Portugal não possui nenhuma usina atômica, mas ainda usa petróleo, gás natural e carvão. Mas caminha para a diminuição e o fim do uso dessas energias. Francisco Ferreira explica: “A Zero conseguiu, há cerca de dois anos, convencer o governo a traçar um plano para a neutralidade carbônica em 2050. No caso da eletricidade, prevê-se que já em 2040 consigamos ter toda a eletricidade proveniente de fontes renováveis. A mobilidade vai sendo cada vez mais adaptada ao elétrico. As centrais de carvão irão terminar seu funcionamento antes de 2030, com certeza. O gás natural poderá garantir algumas situações em que as renováveis não assegurem todo o consumo”.

Central fotovoltaica flutuante

Seguindo essa política de pesquisa e investimento, a estatal EDP (Eletricidade de Portugal) tem um projeto inovador que associa os potenciais de uma barragem hidrelétrica e de uma central fotovoltaica flutuante. O conceito é uma plataforma do tamanho de metade de um campo de futebol, com 840 painéis solares, flutua no reservatório de Alto Ragabão, no norte de Portugal. Os resultados superaram as expectativas e mostram que esse tipo de plataforma pode ser mais eficiente que as instalações convencionais em terra. O local foi escolhido por oferecer condições climáticas adversas que permitiram testar o projeto em condições extremas. A empresa estuda agora ampliar a escala da plataforma e até exportar a tecnologia para países como o Brasil.

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