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Proliferação da vespa asiática na Europa preocupa apicultores

Por Stephan Rozenbaum

A vespa asiática, chamada na França de “frelon asiatique”, chegou sem querer no país em 2004 e desde então se expandiu para além do território francês. Essa espécie, bem mais agressiva que a prima europeia, tem preocupado os biólogos e cientistas, mas também a população. No mês passado, um homem de 57 anos morreu após ser picado pela vespa.

Eric Darrouzet, professor da Universidade de Tours, no oeste da França, e especialista do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) sobre o inseto, conta que a vespa asiática se espalhou de forma muito rápida pelo território.

“Desde que chegou na França, por volta de 2004, no sudoeste, a questão deixou de ser um problema local e se tornou europeu. Encontramos a vespa asiática em todo o sul da Europa e em alguns lugares do norte, como a Escócia e a Holanda. Temos portanto uma expansão muito rápida e eficaz. Além de ser uma espécie invasiva, a vespa asiática é também um grande predador. O impacto é, portanto, multiplicado. Passamos a encontrar problemas na biodiversidade, no setor econômico e na saúde, tanto dos homens quanto dos animais de criação”, afirma o especialista.

Um dos setores mais preocupados com a proliferação das vespas asiáticas é o da apicultura. “É uma máquina de guerra”, contou Alain Rey, apicultor da cidade de Herbignac (oeste) à televisão francesa.O presidente do sindicato dos apicultores da região Midi-Pyrenées, Olivier Fernandez, afirma que a vespa asiática atrapalha um setor que já está muito enfraquecido após longas batalhas contra os pesticidas.

É um problema a mais para o apicultor, atinge o ânimo de todos nós, porque quando passamos na frente das colmeias, vemos várias vespas esperando para matar as abelhas, que acabam não saindo mais para buscar o pólen. Por isso, com raquetes de badminton, fingimos ser esportistas de alto nível para matar o máximo de vespas possível, só que poderíamos passar o dia fazendo isso e infelizmente não temos todo esse tempo. Estamos desamparados. Esperamos bastante da equipe do professor Darrouzet – que é a única na França a receber verba do governo para estudar a questão -— que consigam encontrar armadilhas à base de feromônio, o que permitiria a captura das vespas fundadores, diminuindo assim o número de ninhos.

O professor Eric Darrouzet está otimista e acredita que novas armadilhas já estejam prontas para serem usadas no ano que vem.

“Por enquanto estamos concentrados em três tipos de dispositivos, que desenvolvemos paralelamente. No primeiro usamos feromônios de alerta para atrair somente vespas nas armadilhas. Fizemos avanços interessantes neste aspecto e acredito que no ano que vem já faremos testes em campo.Testamos um segundo dispositivo, também com o objetivo de proteger colmeias, usando um filtro químico, para aumentar a seletividade das armadilhas, independentemente do produto usado como isca. Já temos resultados promissores e já estamos efetuando testes. O terceiro projeto é uma solução de luta contra a espécie que estou desenvolvendo com uma estudante chinesa que está fazendo sua tese junto à minha equipe. A ideia é criar um feromônio sexual para atrair somente os machos da espécie, aumentando assim a consanguinidade da espécie chegando a resultados positivos a médio prazo.”

O presidente do Sindicato dos apicultores, Olivier Fernandez, lembra que as abelhas atravessaram os séculos, mas que a ação do homem está cada vez mais prejudicial.

Frente à vespa asiática, as abelhas não têm chance. Primeiro porque essa é a ameaça mais recente. A abelha soube se adaptar a muitos problemas, passou pela era do gelo sem dificuldades. Só é preciso centenas ou milhares de anos para isso. Mas hoje, por causa do homem, que seja pela multiplicação de doenças, vindas da importação de colmeias de outros continentes, que seja com a chegada da vespa asiática ou a questão dos pesticidas, hoje, nossas abelhas se sentem desamparadas, e isso também acontece na questão da vespa asiática.

Enquanto a solução para o problema da vespa asiática não for encontrada, vale lembrar que não se deve chegar perto dos ninhos, já que quando se sente ameaçada, a espécie ataca violentamente em massa.

 

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