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Vacina contra o HPV, que causa câncer do colo útero, é aprovada para mulheres até 45 anos

Por Taíssa Stivanin

Uso preventivo em pacientes de 27 a 45 anos foi aprovado em outubro pelo FDA (Food and Drug Administration), organismo americano que autoriza a comercialização de medicamentos.

O câncer do colo do útero provoca mais de 265 mil mortes por ano no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Ele é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Dados do Instituto Nacional do Câncer mostram que, no Brasil, a estimativa é que sejam diagnosticados 16.370 novos casos até o final de 2018.

A doença é provocada pelas cepas mais malignas do HPV, o papiloma vírus, transmitido sexualmente. A confirmação, em 1990, de que todos os tumores do colo do útero são provocados por esse vírus revolucionou a prevenção e o tratamento dos tumores malignos do colo do útero, mas também de cânceres do pênis, do ânus e da garganta.

Em 2006, chegou ao mercado a vacina Gardasil, do laboratório Merck, que inicialmente protegia contra quatro tipos do HPV(existem centenas de cepas diferentes). Recomendada para pré-adolescentes antes do início da vida sexual, ela foi aprimorada e em 2014 passou a incluir outras cinco cepas, responsável por 20% dos chamados cânceres cervicais.

Há cerca de dez anos, a vacina também começou a ser usada no tratamento de mulheres que já haviam sido contaminadas, como explica a ginecologista e obstetra Patrícia Gonçalves, professora-assistente da USP (Universidade de São Paulo).

“Na USP (Universidade de São Paulo), percebemos, através de estudos da literatura mundial, que os anticorpos produzidos pela vacina ajudavam a lutar contra o HPV em uma mulher que já tem uma lesão, chamada de NIC 1 (neoplasia intra-cervical), que é uma lesão de baixo grau”.

A grande novidade é que, a partir de agora, mulheres até 45 anos que nunca tiveram contato com um dos nove vírus que compõem a Gardasil poderão beneficiar da imunização. Um novo passo foi dado para que, no futuro, a doença possa ser erradicada.

“Essa é a pretensão da prevenção hoje, com as adolescentes, que ainda não tiveram atividade sexual, e com as mulheres que tiveram atividade sexual, entraram em contato com o vírus HPV e que estão em tratamento", diz. A médica lamenta o fato de que, para mulheres mais velhas, a vacina não é fornecida pela rede pública no Brasil. Em compensação, a adesão entre as meninas mais jovens foi grande.

Carga viral

As decisões terapêuticas em caso de contaminação pelo HPV – um vírus comum- dependem do grau da lesão e da carga viral. Em geral, o exame Papanicolau identifica a existência de uma alteração. Em seguida, se for necessário, o médico prescreve uma biópsia e outro exame de referência, a captura híbrida para o HPV.

Ele determina com precisão a cepa do vírus que invadiu o DNA das células e a quantidade presente. Esse dado é importante porque aumenta as possibilidades de transmissão e o risco para a mulher, dependendo do parceiro, explica a ginecologista.

“Ao ter uma atividade sexual com um homem que também tenha uma carga viral considerável, ela vai ter uma troca e um aumento dessa carga viral. Tanto na passagem, na transmissão, quanto para ela mesma", explica. "Isso vai fazer com que a mulher tenha um risco maior de desenvolver uma lesão que possa evoluir para um câncer. Com a vacina, ela terá um aumento dos anticorpos contra o HPV e a resposta do tratamento será melhor”.

A verdade é que, com uma vida sexual ativa, é fácil pegar o HPV. 50% das pessoas terão contato pelo menos uma vez na vida com o vírus, que se transmite facilmente pelo contato. Como pode se alojar nas partes genitais externas, o preservativo muitas vezes é insuficiente para proteger o parceiro.

Para minimizar o risco, lembra a ginecologista, a camisinha deve ser usada nas preliminares. E a vacina, nesse contexto, torna-se primordial. “Sim, é primordial. Daqui a alguns anos, haverá a possibilidade de erradicar o câncer de colo de útero”, resume a ginecologista.

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