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Telemedicina: um mercado que deve mudar (para melhor) a vida dos pacientes

Por Taíssa Stivanin

A ausência de médicos em territórios afastados ou cidades pequenas é um desafio para as autoridades de saúde em vários países. O advento da chamada Telemedicina, que utiliza as tecnologias de informação e telecomunicações para atender pacientes e instituições à distância, surge como uma solução para esse problema.

No Brasil, os novos serviços já possibilitam consultas, laudos à distância fornecidos para hospitais e monitoramento de pacientes, que podem ser atendidos por videoconferência em casa. O cardiologista brasileiro Carlos Camargo, de Campinas, é um dos pioneiros no setor. Sua empresa, Brasil Telemedicina, foi criada em 2010 e atende e atende órgãos públicos, particulares e outras instituições – o equivalente a 2000 contratos no Brasil.

A legislação brasileira, explica, aos poucos se adapta à nova realidade apesar de algumas dificuldades, que vêm sendo superadas. “E uma tendência mundial, os benefícios são muito claros, principalmente para países com grande extensão continental, como o Brasil. Trata-se de proporcionar acesso médico a pessoas que não têm nenhum acesso”, diz. Segundo ele, no Brasil, em cerca de 700 cidades não existe nenhum consultório médico. Em 1500 municípios, os profissionais atuam apenas duas vezes por semana e em meio período. Apenas 42 cidades no Brasil, detalha, têm mais de 500 mil habitantes, mas é nelas que estão instalados 60% dos 450 mil médicos que trabalham no pais.

Os laudos médicos são um bom exemplo de como a Telemedicina pode agilizar o atendimento. “Vamos dizer que em um Pronto-Socorro chega um paciente com uma dor no peito e faz um eletrocardiograma. O clinico tem duvidas se ele deve ser operado ou não. Nesse caso, ele envia o exame para nossa plataforma e além de darmos o laudo exato do que esta ocorrendo, damos uma assistência na conduta desse paciente”, explica o cardiologista.

Esse procedimento pode salvar vidas, já que um especialista, nem sempre disponível em certos estabelecimentos, estará em tempo real auxiliando a equipe durante a emergência. Hospitais públicos, de convênio, privados e clinicas estão inscritos na plataforma brasileira e utilizam seus serviços. Atualmente 400 médicos estão cadastrados no site para gerenciar o atendimento – uma verdadeira sala de espera virtual, com profissionais que trabalham em turnos durante 24 horas. O site ainda oferece sessões de Psicoterapia à distância monitora de pacientes com doenças crônicas.

Através de um aplicativo, os pacientes podem acessar a central 24 horas e consultar um médico ou enfermeiro para tirar dúvidas, ou mesmo questões urgentes, por videoconferência. O prontuário médico esta disponível na plataforma. Além disso, o aplicativo “lembra” o doente dos horários da medicação. “Também temos um aparelho para medir pressão, a glicemia e um aparelho de eletrocardiograma. Tudo pode ser conectado com um cabo, no próprio celular, transmitindo os dados para a própria plataforma”, detalha o cardiologista.

O equipamento foi desenvolvido por parceiros – no caso uma empresa americana. Por enquanto, os serviços não são reembolsados, mas com o desenvolvimento do mercado, os convênios poderão, no futuro, arcar com os custos, acredita Camargo. Uma consulta varia entre R$ 60 a R$ 200 e o monitoramento depende do volume, mas pode custar R$ 135. Os preços são acessíveis se comparado aos praticados por profissionais especializados em seus consultórios. O know-how da plataforma brasileira agora esta sendo exportado para a União Europeia, onde uma filial, Eurotélémédicine, abriu as portas no ano passado. Um primeiro contrato de Psicoterapia à distância já foi fechado em Porto, em Portugal.

O cardiologista brasileiro Carlos Camargo, pioneiro da Telemedicina no Brasil (Foto; Divulgação)

Na França, serviços já são reembolsados

O otorrino francês Laurent Schmoll, de Estrasburgo, no norte da França, é criador da Toktokdoc, um serviço de Telemedicina criado em 2017 e utilizado em casas de repouso para pessoas idosas, conhecidos como Ehpad. A oferta é feita em função da demanda do estabelecimento, explica o otorrino. A Toktokdoc fornece aos estabelecimentos um tablet e um estetoscópio conectado, que transmite via Bluetooth os batimentos cardíacos do paciente para um clinico-geral ou especialista. As teleconsultas são com hora marcada, em função das patologias e do monitoramento que elas exigem, explica Schmoll. “Por exemplo, se um paciente tem um problema dermatológico, organizamos uma sessão entre o dermatologista, o paciente e a casa de repouso. Todo mundo estará na frente da tela em um horário fixo”, diz. Para o especialista, um problema agudo é mais difícil de resolver com a Telemedicina, como um infarto, ou um coma diabético.

O Toktokdoc, ressalta, propõe consultas para doenças crônicas ou casos pontuais. Um oftalmologista, por exemplo, pode receitar um colírio ou uma pomada, evitando que o paciente espere dias para obter um horário com o especialista. Cerca de 240 médicos foram formados para trabalhar na plataforma e 150 casas de repouso aderiram ao serviço. As consultas são reembolsadas pela Seguridade Social desde 2017 – um grande passo em revolução que só esta começando, na opinião do médico francês.

“O digital vai revolucionar a Medicina. Não se trata de substituir toda a Medicina presencial pela Telemedicina, mas se conscientizar que, parte da Medicina presencial pode ser substituída pela Telemedicina. Principalmente quando se trata de pacientes que conhecemos, com doenças crônicas, como Diabetes ou Hipertensão. Para mudar ou adaptar um tratamento, não é sempre necessário fazer um paciente se deslocar. Principalmente em uma casa de repouso. Ir de um lugar para outro é difícil para uma pessoa idosa”, defende.

A demanda pela Telemedicina, hoje na França, atinge principalmente pacientes mais velhos, portadores de deficiência e acompanhamento em pós-operatório, mas publico em geral já pode beneficiar, por exemplo, de consultas virtuais. O governo francês pretende facilitar o acesso à Medicina on-line e especialistas em programas de luta contra as drogas vêm no serviço uma solução para gerenciar a saúde dos dependentes químicos, por exemplo. Um relatório da Missão interministerial encarregada do tema, concluído na semana passada, mostra que o acompanhamento à distância dos toxicômanos pode ser a solução para evitar as recaídas. Agora resta saber se a proteção de dados estará à altura da revolução médica digital.

 

 

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