rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Paulo Artaxo: limitar aquecimento global a 2°C é “praticamente impossível”

Por Lúcia Müzell

Como fazer para alimentar uma população cada vez maior sem destruir o planeta, a começar pelas terras nas quais os alimentos são cultivados? Essa foi a questão debatida por especialistas do mundo inteiro e cujas conclusões foram publicadas nesta quinta-feira (8), em Genebra, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O físico da USP Paulo Artaxo, um dos cientistas mais respeitados do Brasil, fez parte do estudo.

Por telefone, ele comentou que, no modelo atual de exploração excessiva dos solos, a humanidade não vai conseguir produzir alimentos suficientes para a população de 10 bilhões de pessoas que habitarão o mundo em 2050. “Temos que cuidar melhor do que temos de mais precioso, a nossa terra, de onde a gente tira praticamente todos os nossos alimentos. A degradação do solo, os processos de desertificação e a perda acelerada de carbono do solo podem trazer danos muito grandes para a nossa estrutura socioeconômica, e comprometer a nossa capacidade de produção de alimentos ao longo das próximas décadas”, afirma o cientista, em entrevista à RFI.  

Para lidar com o problema, o relatório do IPCC enumera quatro emergências para os governos e sociedades: reduzir o desmatamento de florestas tropicais, incentivar o reflorestamento e aumentar a produção de alimentos e de biocombustíveis de um modo mais sustentável. “É um desafio. Nós precisamos reduzir as emissões, mas os setores de queima de combustível fóssil e o agronegócio estão andando na direção contrária e olhando só para os próprios interesses”, indica Artaxo.

Objetivo do Acordo de Paris está distante

Hoje, com as emissões aumentando 2,4% ao ano, segundo o IPCC, o objetivo de limitar o aquecimento do planeta em 1,5°C até 2100 – em relação à era pré-industrial - fica cada vez mais distante. A meta foi estabelecida no Acordo de Paris sobre o Clima, em 2015 – mas, para ser cumprida, seria necessária uma redução anual dos gases de efeito estufa em 5%.

“Não há qualquer cientista do IPCC que coloque que poderemos limitar o aquecimento em 2°C. Na atual taxa de emissões, essa tarefa é praticamente impossível”, constata o especialista, explicando que, na trajetória em curso, a elevação da temperatura ficará entre 3° e 4°C no fim do século.

Até leigos constatam aquecimento global

Perguntado se os recentes questionamentos das mudanças climáticas por governos importantes como dos Estados Unidos e do Brasil dificultam essa missão, o físico ressaltou que, na ciência, essas dúvidas não existem. “E qualquer cidadão, mesmo sem ser cientista, observa facilmente que o clima do planeta está mudando. A questão é não deixar que interesses econômicos específicos, como a indústria do petróleo ou do agronegócio brasileiro, predominem sobre os interesses da população em geral”, ressalta o pesquisador da USP.

Ele afirma que os recentes números sobre o aumento do desmatamento do Brasil não foram um tema da reunião do Painel do Clima – pelo menos, não oficialmente. “O IPCC não lida com questões políticas internas de cada país: lida com a questão científica global”, frisa.

Para ouvir a entrevista completa, clique na foto acima.

Hong Kong: Impacto internacional limita riscos de novo massacre pela China, diz professor

Brasileiro propõe Notre-Dame com cobertura leve em vitrais: “Risco estrutural é real”

“Somos seres humanos como Bolsonaro”, diz índio brasileiro no Festival de Locarno

“Países que praticaram políticas de privatização do ensino nunca chegaram a esse nível”, diz professora da Unirio, que participa do protesto pela educação no Brasil

Após turnê europeia, cantor Dienis retorna ao Brasil com “Lua Cheia”

Filme de brasileira concorre a prêmio no Festival de Locarno tocando em feridas abertas da colonização amazônica

Não há risco de epidemia de malária vinda da Venezuela, mas de sarampo sim

Brasil vive "tentativa de imbecilização coletiva”, diz filósofo português

Arles: festival de fotografia mostra trabalho de Pedro Kuperman e indígenas Ashaninka, do Acre

“Aliança militar com EUA é coerente com projeto de submissão do Brasil”, diz pesquisador da UNESP

Ao dar "bolo" em chanceler francês, Bolsonaro mostra que não tem postura de presidente, analisa cientista político

“O sistema judiciário se tornou espaço de disputas políticas”, diz juiz Rubens Casara

Discurso de governo para explorar terras indígenas legitima invasões, alerta organização indigenista

“A sociedade diz todos os dias como uma mulher negra tem que se comportar”, afirma cantora Tássia Reis, em turnê na Europa

Demônios da Garoa se apresenta pela primeira vez na Europa em festival que homenageia São Paulo

“Workaholic”, Balzac tinha a pulsão de retratar a França do século 19, diz pesquisadora

“Foi o jornalismo que me preparou para a música”, diz a cantora Letícia Maura