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Cientistas alemães e britânicos criam tatuagem que monitora taxas no sangue

Por Taíssa Stivanin

Uma descoberta de um grupo de cientistas britânicos e alemães poderá revolucionar o acompanhamento de pacientes que precisam monitorar certas substâncias no sangue – como a glicemia no caso dos diabéticos, por exemplo. Trata-se de uma tatuagem em forma de estrela aplicada no braço que colore em função dos diferentes parâmetros sanguíneos, como a albumina, ou a glicose, essenciais para o equilíbrio metabólico.

Como em uma tatuagem comum, a tinta é injetada na derme, a camada intermediária da pele e a mais espessa, cercada por veias, vasos sanguíneos e folículos capilares. Só que essa tinta é, na realidade, um conjunto de sensores biológicos de menos de dois milímetros que detectam a atividade orgânica e mudam a cor do desenho em função da reatividade das substâncias orgânicas. A equipe também desenvolveu um aplicativo que quantifica as taxas sanguíneas em tempo real. Basta tirar uma foto da tatuagem para obter uma análise precisa do nível delas.

O estudo, publicado recentemente na revista Angewandre International Edition Chemie, ainda está em fase experimental, mais a tatuagem já foi testada com sucesso em porcos. O objetivo é criar meios diagnósticos cada vez menos invasivos, disse à RFI Brasil o pesquisador Ali Yetisen, professor do Departamento de Engenharia do Imperial College, em Londres. Ele também explicou que, com a nova tecnologia é possível identificar o nível de concentração de uma substância analisando sua colorimetria. Em caso de alteração da glicose, por exemplo, a cor amarela acaba ficando esverdeada. “Observando a intensidade da cor verde, podemos saber qual é a concentração do nível de açúcar no sangue”, diz o cientista.

No final de agosto, os pesquisadores expandiram o estudo e testaram o uso da tatuagem para medir a taxa de alguns eletrólitos, como sódio, potássio, magnésio ou zinco, que ficam fluorescentes ao reagirem com os sensores. Eles descobriram que, quanto mais brilhante se tornava a tatuagem, maior era a quantidade de uma determinada substância no sangue. O nível do cortisol, o chamado hormônio do stress, da dopamina e da noradrenalina, neurotransmissores fundamentais para o bom funcionamento do cérebro e do organismo, também estão na mira dos pesquisadores. O princípio é o mesmo: colorir ou fazer “brilhar” a tatuagem, que pode ser visível ou invisível a olho nu.

Agências de regulação exigem testes em humanos

A invenção, apesar de revolucionária, ainda deve demorar para chegar às prateleiras das farmácias, explica Yetisen. A comercialização de dispositivos médicos é um processo demorado, que envolve aprovações em diferentes níveis. “Por enquanto, ainda estamos usando modelos animais, para avaliar a toxicidade de certos componentes dos sensores”, diz. A tatuagem já foi testada na pele de cadáveres de ratos e porcos, ressalta o pesquisador. Agora é necessário usar mais cobaias vivas, para que a tecnologia seja considerada suficientemente segura para o estudo em humanos e possa mudar a vida dos pacientes no futuro. “Nosso trabalho é ter novas ideias. Quando elas são realistas e aplicáveis, podem ser transformadas em produtos”, observa o pesquisador.

O processo ainda pode demorar de quatro a dez anos, lembra, e tanto na Europa, como nos EUA, as exigências são as mesmas: testes em animais, em larga escala, e em alguns humanos – no mínimo dez ou 20 pessoas. “Como se trata de um material injetável, entra na chamada ‘classe 3’ na regulação europeia, feita da Agência Europeia de Medicamentos e pelo FDA (Federal Drugs Administration), a agência reguladora nos Estados Unidos. O processo demora porque é preciso demonstrar com certeza que os sensores podem ser injetados com segurança.”

O Reino Unido, lembra o cientista, tem sua própria agência para aprovar medicamentos. Caso o Brexit, a saída definitiva do Reino Unido da Europa, se concretize, o pesquisador acredita que aprovações de pesquisas conjuntas entre vários países pode demorar. De acordo com o cientista, os britânicos deveriam utilizar a mesma regulação que a União Europeia para facilitar as pesquisas. “Certamente haverá um impacto. Não sou um pro-Brexit e acho essa ideia terrível”, declara.

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