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Gaultier homenageia Amy Winehouse na Alta Costura de Paris

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O estilo de Amy Winehouse, revisitado pelo estilista Jean Paul Gaultier. Reuters

O genial estilista francês Jean Paul Gaultier construiu uma coleção provocante e ousada em torno do universo e da personalidade da cantora britânica Amy Winehouse, que morreu em julho do ano passado, aos 27 anos. Os modelos reproduziram o universo retrô e contemporâneo da artista.


A temporada parisiense da Alta Costura Primavera-Verão 2012 não poderia render homenagem mais real à deliciosa artista que partiu cedo demais. Jean Paul Gaultier cortou o fôlego da plateia ao colocar nas passarelas a primeira manequim da sua nova coleção: cabelos pretos em coque banana alto, olhos puxados com lápis, saia preta cintilante e top branquinho mostrando o sutiã, parecia que era Amy que tinha voltado ao nosso planeta apenas para desfilar para o mais rebelde dos criadores franceses.

Os modelos apresentados foram fiéis à musa do R&B: bustiers, espartilhos, superposições de sutiãs... Quanto às cores, tons fortes enlaçados com preto, gerando os contrastes que marcaram o look da cantora, inspirado nos anos 50 e 60, mas sem mergulhar no retrô.

"Antes de tudo, ela era única. Na música e no seu modo de vestir, ela misturava diversas influências para criar um estilo próprio", disse Gaultier, lembrando que Amy era um verdadeiro ícone. Um ícone presente no fundo musical do desfile assistido por uma plateia de famosos.

Tudo azul para Chanel, transparências para Dior

Chanel e Dior também deslumbraram nessa temporada, com propostas bem diferentes, começando pelos locais dos desfiles. Enquanto Chanel decidiu embarcar seus convidados em um jatinho particular construído em uma galeria do Museu Grand Palais,  Dior voltou a escolher a intimidade dos seus salões, na chiquérrima Avenue Montaigne.

O estilista da Chanel, Karl Lagerfeld, provou mais uma vez sua criatividade sem limites ao escolher mais de 150 tons de azul para os seus modelos. "O azul é a cor do ar, da noite e do dia", ele explicou, lembrando que nunca explorou muito esse tom.

Vestidos em tweed rebordados, mantôs longos, casacos com mangas bufantes e uma proposta de atitude marcaram a coleção Chanel: "Mãos nos bolsos baixos, bem, bem baixos, escondidos sob os quadris", explicou "Monsieur" Chanel.

Camélias (marca registrada de Chanel), pedras e bordados luminosos lembraram noites estreladas e, é claro, azuis....

Do lado da Maison Dior, o estilista britânico Bill Gaytten, antigo assistente do infeliz John Galliano, continua à frente da marca. Neste ano, ele propõs leveza e transparência para uma mulher feminina ao extremo. Musseline, organza, tule, seda e bordados lembram a elegância fluida dos anos 50. Preto, branco e jogos de cores claras e vivas, como violeta e vermelho, acentuam as velhas preferências da marca Dior.

Cintura marcada, drapeados, vestidos e saias volumosos, muito plissado, enfim, um ar glamour dos anos 50 nos faz sonhar, principalmente quando as modelos aparecem em vestidos de baile com armaduras.

Mulher Armani, Mulher serpente...

Armani Privé mostrou uma coleção inspirada nos répteis (ou no pecado?) em que predomina o tom verde maçã nos trajes e o negro nas rendas.
Vestidos com cintura bem marcada, ombreiras levemente altas, saias em organza, são as peças principais, complementadas por fascinantes vestidos de soirée bordados, com saias rodadas e, tendência da temporada, armaduras.

Gustavo Lins

O brasileiro Gustavo Lins, único latino-americano a fazer parte do seleto clube da Câmara da Alta Costura francesa, apresentou um desfile de influências espanholas, abusando de decotes, fendas e sensualidade.  Uma visita a Sevilha, com o corpo à mostra e cortes arquitetônicos.