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3D Cinema Documentário Exploração Explorador Mergulho Oceano

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Cineasta James Cameron é o primeiro homem a explorar sozinho o fundo do oceano

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O diretor de cinema americano James Cameron, antes de embarcar rumo ao fundo do Oceano Pacífico, neste domingo. REUTERS/National Geographic/Mark Thiessen/Handout

O diretor canadense dos filmes "Titanic" e "Avatar", James Cameron, se tornou nesta segunda-feira o primeiro homem a explorar sozinho o lugar mais profundo da crosta terrestre, a mais de 10 km de profundidade no oceano Pacífico, onde ele diz ter visto uma paisagem "lunar, deserta".


"É um lugar muito lunar, muito deserto, muito isolado", exclamou James Cameron nesta segunda-feira durante uma entrevista por telefone, algumas horas após seu retorno da fossa das Marianas.

Chamado pela associação americana National Geographic, que pilotou a expedição Deepsea Challenger, de "primeira pessoa no mundo a ter tocado sozinho o fundo do ponto mais profundo da crosta terrestre a um recorde de 10.898 metros", o diretor dos filmes "Avatar" tinha como objetivo trazer imagens e espécimes a fim de "conhecer e compreender melhor essa parte ainda muito desconhecida de nosso planeta". 

Após uma subida mais rápida que o previsto, em 70 minutos, o minissubmarino do diretor emergiu na madrugada desta segunda-feira, a 500 km a sudoeste da ilha americana de Guam. "Tive a impressão de passar de ir a outro planeta e voltar em apenas um dia", disse James Cameron na volta. "É um pouco como mergulhar na escuridão, é algo que um robô não poderia descrever", acrescentou.

A fossa das Marianas é uma espécie de longa cicatriz de 2.550 km de comprimento no oceano Pacífico e chega a 11,2 km de profundidade no local chamado Challenger Deep - um buraco onde se poderia facilmente colocar o monte Everest, o pico mais alto da terra com seus 8.850 metros. Trata-se do lugar mais hostil do globo terrestre, em permanente escuridão.

Cameron, de 57 anos, se preparou para o desafio praticando corrida e yoga todos os dias. Ele desceu ao fundo do mar sozinho a bordo de um minissubmarino de oito metros de comprimento.

O diretor aproveitou a descida para filmar em 3D o fundo do oceano, com a ajuda de potentes projetores. Ele também recolheu espécimes que serão estudados por especialistas em biologia marinha, astrobiologia, geologia marinha ou geofísica.

James Cameron afirmou ter permanecido somente duas horas e meia no fundo do oceano - ou seja, bem menos que as seis hora previstas inicialmente - devido a um problema com o sistema hidráulico do aparelho.

A expedição será tema de um documentário em 3D exibido nos cinemas e no canal de televisão do National Geographic, além de servir de base a programas educativos.